Brasília - Após uma pequena melhora no mês passado, os consumidores voltaram a ficar mais pessimistas em agosto, principalmente devido à inflação elevada. É o que aponta o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a pesquisa, o Inec alcançou 108,3 pontos em agosto, queda de 1,1% em relação aos 109,5 pontos verificados em julho.
A confiança do consumidor está entre os menores níveis desde março de 2009. O resultado de agosto só supera os verificados em maio e junho deste ano. Também está abaixo da média histórica de 111,1 pontos. O indicador é calculado desde 2001. Todos os componentes do índice caíram, exceto o que mede a expectativa para compras de maior valor.
A maior queda entre os subitens do Inec foi verificada nas expectativas em relação à inflação, que recuaram 7,6% em relação a julho. Segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo, a preocupação do consumidor com a inflação cresceu muito no mês passado, mas já tem sido verificada desde o ano passado.
As expectativas em relação ao desemprego tiveram uma piora de 1,4%. Em relação à renda pessoal houve recuo de 1,2%. O consumidor apontou ainda piora de 2,5% sobre sua situação financeira e de 1,6% em relação ao endividamento.
O subitem que mede as expectativas em relação a compras de maior valor subiu 3,7%. Como a pergunta é feita para um horizonte de seis meses, é provável que o resultado tenha sido influenciado pela proximidade das festas de fim de ano, explicou o economista.
"É claro que teremos o efeito sazonal das compras de Natal, mas os demais subitens que compõem o índice não apontam para uma recuperação sustentada do consumo das famílias nos próximos meses", avaliou Azevedo.
Na comparação com agosto de 2013, o Inec caiu 1,8%. Na época, o índice registrou 110,3 pontos. Em relação ao mesmo mês do ano passado, pioraram as expectativas em relação à inflação (-8,7%), desemprego (-5,9%) e situação financeira (-1,7%).
O Inec é um índice que sintetiza o sentimento e as expectativas dos consumidores brasileiros em relação à situação econômica. Quanto maior o índice, maior o porcentual de respostas positivas e, portanto, maior o otimismo. Neste mês, 2.002 pessoas em 141 municípios de todo o País foram consultadas entre os dias 14 e 18 de agosto.

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