Indústrias vão se reunir em Curitiba
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
Vânia Casado 
Cerca de 60 indústrias do setor leiteiro se reúnem na próxima semana em Curitiba. Entre os assuntos em pauta, está discussão sobre a possibilidade de extinção da venda de leite tipo C no país e o temor da eliminação das alíquotas de importação do leite em pó. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Derivados, Wilson Thiensen, um dos promotores do encontro disse que vê com preocupação a situação dos 5 milhões de produtores de leite no país, que não têm outra alternativa de renda.
Em relação ao fim da venda do leite tipo C, Thiensen lembrou que o governo deveria se preocupar é com a venda de leite cru, vendida em carrocinhas na maioria dos municípios brasileiros, que não tem a mínima fiscalização.Grande parte da venda de leite no interior do país é vendida diretamente das propriedades para os consumidores, o que é uma ameaça à saúde da população e as autoridades não se preocupam com isso, que é um fato mais grave, denunciou.
Durante o encontro, deverá ser reforçada a defesa do leite pasteurizado em benefício da população. Segundo Thiensen, se o governo está enfrentando problemas de sanidade com o leite C em outros estados, não pode generalizar o problema para todo o país. No Paraná, nenhuma marca avaliada pelo Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) foi considerada imprópria para o consumo. Isso reflete todo o investimento feito pelo setor nos últimos 10 anos, desde a melhoria do rebanho, até a implantação de laboratórios especializados para atestar a qualidade do produto. Para o empresário, todos esses investimentos foram feitos pela iniciativa privada, salientou.
Outro assunto que será discutido é o comportamento do mercado leiteiro daqui para frente, frente às mudanças de câmbio. Thiensen lembrou que o setor foi muito penalizado nos últimos dois anos, quando o governo permitiu a importação de quase quatro bilhões de litros, que entraram no país com vantagens em relação ao produto nacional, como juros baixos e prazos longos para pagamento.
A preocupação das indústrias é que a produção, apesar de ter aumentado em todo o pais, não atenda a elevação da demanda. A produção no país evoluiu de 19,4 bilhões de litros em 1996, para 21,8 bilhões no ano passado.


