Ponta Grossa - As principais indústrias que esmagam soja no País estão se preparando para um crescimento no volume esmagado este ano. Segundo informações de técnicos da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a ampliação das margens de lucro está impulsionando este crescimento.
A primeira estimativa feita pela Abiove para o ano de 2002 é de que sejam esmagadas 23,2 milhões toneladas do grão, o que representa um crescimento de 2% com relação ao ano passado, quando foram esmagadas 22,8 milhões de toneladas.
Além das margens maiores, o aumento na produção brasileira do grão também está favorecendo a indústria, que terá que importar menos este ano. Enquanto no ano passado foram importadas 800 mil toneladas de soja, este ano a indústria vai precisar importar apenas 400 mil toneladas, uma redução de 50%.
Já a exportação do grão deve crescer, passando de 15,6 milhões/t para 17,2 milhões/t. A Abiove também prevê uma pequena redução no volume de exportação do óleo de soja, caindo de 1,6 milhões/t em 2001 para 1,550 em 2002, enquanto as importações devem permanecer no mesmo volume, de cerca de 150 mil toneladas.
A Bunge Alimentos é uma das indústrias que promete ampliar sua planta em 2002. Os números da ampliação ainda estão sendo mantidos em sigilo, mas o assessor da diretoria da empresa, Herculano Domício Martins, adianta que a ampliação inclui a construção de novas unidades.
Segundo ele, o crescimento deve acontecer nas regiões cuja produção também está aumentando. ‘‘Isso exclui a região Sul, que não tem mais capacidade para expandir sua produção’’, explica. A empresa deve anunciar seus novos investimentos em abril, quando divulga seu relatório anual.
Para este ano, a Bunge deve comprar 9 milhões de toneladas de soja e esmagar 6,5 milhões nas suas nove unidades espalhadas pelo Brasil. Em 2001 a indústria aumentou em 10% o volume de esmagamento da soja, em comparação com os índices atingidos em 2000, quando foram esmagados 5,8 milhões de toneladas de soja. Só a Bunge responde pelo esmagamento de cerca de 30% do total de soja processada no Brasil.
A Insol do Brasil, indústria paranaense, vai aumentar seu volume de esmagamento em 100%. A unidade de Clevelândia, que ficou desativada em 2001, volta a esmagar este ano. Segundo o diretor da Insol, Luiz Sérgio da Silva, a intenção é esmagar 300 mil toneladas em Clevelândia e 150 mil em Ponta Grossa.
Silva explica que além do aumento na produção, a melhora das margens de lucro está incentivando o crescimento do esmagamento. ‘‘Com a redução do ICMS no óleo de soja o esmagamento voltou a ser mais atrativo do que fazer a exportação do grão’’, explica.

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