Rio de Ja­nei­ro - O im­pac­to no Bra­sil da cri­se eco­nô­mi­ca glo­bal le­vou o pri­mei­ro se­mes­tre des­te ano à que­da re­cor­de da pro­du­ção in­dus­trial de 13,4% em re­la­ção a ­igual pe­río­do do ano an­te­rior. Des­de que a pes­qui­sa men­sal do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Geo­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IB­GE) co­me­çou a ser rea­li­za­da, em 1975, nun­ca foi re­gis­tra­da uma que­da tão gran­de.
  A re­cu­pe­ra­ção da pro­du­ção in­dus­trial no pe­río­do de de­zem­bro – mês que mar­cou o fun­do do po­ço pa­ra a in­dús­tria – até ju­nho foi de 7,9%, re­sul­ta­do in­su­fi­cien­te pa­ra com­pen­sar a que­da de 20% ocor­ri­da des­de o iní­cio do agra­va­men­to da cri­se, em se­tem­bro, até de­zem­bro. De ­maio pa­ra ju­nho, a al­ta foi de 0,2%.
  ‘‘Es­sa re­cu­pe­ra­ção de 7,9% é um acrés­ci­mo mui­to dis­cre­to em re­la­ção à que­da ­anterior’’, ana­li­sa o con­sul­tor da Fun­da­ção Ge­tú­lio Var­gas (FGV) Síl­vio Sa­les. ­Além dis­so, lem­bra que no ano pas­sa­do, até o ter­cei­ro tri­mes­tre, a pro­du­ção in­dus­trial es­ta­va cres­cen­do a ta­xas mui­to ele­va­das.
  A ba­se al­ta, as­so­cia­da à que­da no quar­to tri­mes­tre, ain­da não com­pen­sa­da, re­sul­ta em ta­xas ne­ga­ti­vas nas com­pa­ra­ções com os mes­mos pe­río­dos an­te­rio­res em ju­nho (-10,9%), no se­gun­do tri­mes­tre (-12,3%), no pri­mei­ro se­mes­tre (-13,4%) e nos 12 me­ses acu­mu­la­dos até ju­nho (-6,2%).
  Pa­ra a ge­ren­te de Aná­li­se da In­dús­tria do IB­GE, Isa­bel­la Nu­nes, os re­sul­ta­dos bra­si­lei­ros de­vem ser re­la­ti­vi­za­dos pe­lo que acon­te­ce em ou­tros paí­ses. ‘‘O mun­do in­tei­ro es­tá com que­da re­cor­de no pri­mei­ro se­mes­tre. O Bra­sil es­tá li­de­ran­do a re­cu­pe­ra­ção na Amé­ri­ca La­ti­na, e, no mun­do, só per­de de paí­ses asiá­ti­cos, co­mo a ­China’’, dis­se.
  Isa­bel­la ob­ser­vou que ‘‘a in­dús­tria re­cu­pe­ra na mar­gem e re­duz o rit­mo de que­da na com­pa­ra­ção com ano ­passado’’. Pa­ra a ana­lis­ta da Ten­dên­cias Con­sul­to­ria Ariad­ne Vi­to­ria­no, a in­dús­tria de­ve se­guir a ten­dên­cia de cres­ci­men­to em re­la­ção ao mês an­te­rior e a re­du­ção da que­da em re­la­ção ao ano pas­sa­do fe­chan­do o ano em -8,7%, mas com cres­ci­men­to de 9,0% pa­ra 2010.
  Sa­les tam­bém con­si­de­ra que as pers­pec­ti­vas são de me­lho­ra pa­ra a in­dús­tria. ‘‘Os in­di­ca­do­res mos­tram is­so. As ex­pec­ta­ti­vas em­pre­sa­riais e de con­su­mi­do­res, os da­dos da PME (Pes­qui­sa Men­sal de Em­pre­go do IB­GE), to­dos apon­tam nes­sa ­direção’’, dis­se.
  Um dos fa­to­res que ­mais con­tri­buí­ram pa­ra a re­du­ção re­cor­de da pro­du­ção in­dus­trial no pri­mei­ro se­mes­tre foi a que­da dos veí­cu­los au­to­mo­to­res, de 23,6% an­te ­igual pe­río­do de 2008. Ou­tro des­ta­que ne­ga­ti­vo foi ma­te­rial ele­troe­le­trô­ni­co e equi­pa­men­tos de co­mu­ni­ca­ções, com -40,1% na mes­ma com­pa­ra­ção.
  ‘‘A que­da des­ses se­to­res foi to­da no quar­to ­trimestre’’, dis­se Isa­bel­la Nu­nes. A pro­du­ção de veí­cu­los au­to­mo­to­res ­caiu 54,4% de se­tem­bro pa­ra de­zem­bro, de­pois cres­ceu 69% de lá até ju­nho, mas ain­da 23% abai­xo de se­tem­bro. Com o ma­te­rial ele­troe­le­trô­ni­co e equi­pa­men­tos de co­mu­ni­ca­ção, hou­ve que­da de pro­du­ção 54,5% de se­tem­bro pa­ra de­zem­bro e ex­pan­são de 52,5% de de­zem­bro pa­ra ju­nho Ain­da as­sim, a pro­du­ção é 30,7% me­nor que em se­tem­bro.
  A que­da da pro­du­ção de veí­cu­los au­to­mo­to­res no pri­mei­ro se­mes­tre foi a ­maior do se­tor pa­ra o pe­río­do des­de o co­me­ço da sé­rie his­tó­ri­ca atua­li­za­da pe­lo IB­GE, ini­cia­da em 1991, de acor­do com o eco­no­mis­ta da coor­de­na­ção da in­dús­tria do ins­ti­tu­to An­dré Ma­ce­do.
  Ele ob­ser­vou que a pro­du­ção de veí­cu­los afe­ta ou­tras in­dús­trias, co­mo me­ta­lúr­gi­ca; pro­du­tos quí­mi­cos; de bor­ra­cha e de plás­ti­cos. ‘‘Por in­fluên­cia do re­cuo na pro­du­ção da in­dús­tria au­to­mo­ti­va, a pro­du­ção des­sas ou­tras in­dús­trias, que par­ti­ci­pam da pro­du­ção de veí­cu­los au­to­mo­to­res, tam­bém ­sofreu’’, co­men­tou.

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