Indústrias têm pior semestre em 34 anos
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segunda-feira, 03 de agosto de 2009
Adriana Chiarini e Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O impacto no Brasil da crise econômica global levou o primeiro semestre deste ano à queda recorde da produção industrial de 13,4% em relação a igual período do ano anterior. Desde que a pesquisa mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou a ser realizada, em 1975, nunca foi registrada uma queda tão grande.
A recuperação da produção industrial no período de dezembro mês que marcou o fundo do poço para a indústria até junho foi de 7,9%, resultado insuficiente para compensar a queda de 20% ocorrida desde o início do agravamento da crise, em setembro, até dezembro. De maio para junho, a alta foi de 0,2%.
Essa recuperação de 7,9% é um acréscimo muito discreto em relação à queda anterior, analisa o consultor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Sílvio Sales. Além disso, lembra que no ano passado, até o terceiro trimestre, a produção industrial estava crescendo a taxas muito elevadas.
A base alta, associada à queda no quarto trimestre, ainda não compensada, resulta em taxas negativas nas comparações com os mesmos períodos anteriores em junho (-10,9%), no segundo trimestre (-12,3%), no primeiro semestre (-13,4%) e nos 12 meses acumulados até junho (-6,2%).
Para a gerente de Análise da Indústria do IBGE, Isabella Nunes, os resultados brasileiros devem ser relativizados pelo que acontece em outros países. O mundo inteiro está com queda recorde no primeiro semestre. O Brasil está liderando a recuperação na América Latina, e, no mundo, só perde de países asiáticos, como a China, disse.
Isabella observou que a indústria recupera na margem e reduz o ritmo de queda na comparação com ano passado. Para a analista da Tendências Consultoria Ariadne Vitoriano, a indústria deve seguir a tendência de crescimento em relação ao mês anterior e a redução da queda em relação ao ano passado fechando o ano em -8,7%, mas com crescimento de 9,0% para 2010.
Sales também considera que as perspectivas são de melhora para a indústria. Os indicadores mostram isso. As expectativas empresariais e de consumidores, os dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE), todos apontam nessa direção, disse.
Um dos fatores que mais contribuíram para a redução recorde da produção industrial no primeiro semestre foi a queda dos veículos automotores, de 23,6% ante igual período de 2008. Outro destaque negativo foi material eletroeletrônico e equipamentos de comunicações, com -40,1% na mesma comparação.
A queda desses setores foi toda no quarto trimestre, disse Isabella Nunes. A produção de veículos automotores caiu 54,4% de setembro para dezembro, depois cresceu 69% de lá até junho, mas ainda 23% abaixo de setembro. Com o material eletroeletrônico e equipamentos de comunicação, houve queda de produção 54,5% de setembro para dezembro e expansão de 52,5% de dezembro para junho Ainda assim, a produção é 30,7% menor que em setembro.
A queda da produção de veículos automotores no primeiro semestre foi a maior do setor para o período desde o começo da série histórica atualizada pelo IBGE, iniciada em 1991, de acordo com o economista da coordenação da indústria do instituto André Macedo.
Ele observou que a produção de veículos afeta outras indústrias, como metalúrgica; produtos químicos; de borracha e de plásticos. Por influência do recuo na produção da indústria automotiva, a produção dessas outras indústrias, que participam da produção de veículos automotores, também sofreu, comentou.


