Indústrias se renovam na briga pelo topo
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de agosto de 1998
Carmem Murara 
Nem só de novas megaempresas vive o parque industrial do Paraná. Tops de produção no cenário nacional, antigas indústrias do Estado mais que nunca investem em novos processos de produção e gestão, reciclam os seus mix de produtos, renovam o lay out de suas redes de varejo e brigam para consolidar as suas posições no mercado.
Instaladas na Grande Curitiba há pelo menos 20 anos, algumas fábricas paranaenses traçam uma trajetória de modernização e novos investimentos à margem da euforia que cerca as recentes indústrias - a maioria do setor automotivo - que fizeram a opção pelo Paraná. Volvo e O Boticário são exemplos típicos de empresas que estão atentas para não perder espaço no mercado. As duas empresas fizeram recentes investimentos na linha de produção para ganhar competitividade.
A montadora de ônibus e caminhões Volvo - de origem sueca - puxou o cordão das empresas automobilísticas no Paraná. Foi uma das primeiras a se instalar na Cidade Industrial de Curitiba. Ao iniciar a construção de sua fábrica, em 1977, tornou-se a primeira montadora da região Sul do País. Durante duas décadas correu atrás de um mercado dominado pela Scania e Mercedes, e hoje abocanha um terço do mercado nacional de caminhões pesados. A fábrica brasileira é a quarta que mais vende caminhões e a segunda em venda de ônibus entre todas as demais unidades da Volvo no mundo. Mas a idéia é crescer: o mais recente investimento do grupo foi a construção da fábrica de cabines, onde aplicou R$ 50 milhões. Até o final do ano fica pronta a fábrica de motores, ao custo de R$ 40 milhões.
O Boticário também está em processo de reciclagem. Terceira maior indústria brasileira no setor de cosmética, a empresa estima que fechará o ano com um faturamento de R$ 530 milhões, valor que inclui as franquias e o setor industrial.
Desde a metade do ano passado, O Boticário passa por um processo de reengenharia. Em abril de 97, cortou a figura do master-franqueado e passou a fazer o atendimento ao lojista na própria unidade de São José dos Pinhais. A reestruturação está sendo finalizada e os resultados começam a aparecer. As lojas da rede estão mudando de cara e um novo conceito de atendimento - em que o consumidor fica mais perto dos produtos - começa a se espalhar pelas unidades. O diretor presidente de O Boticário, Miguel Krisgner, assegura que neste ano haverá um incremento nos setores de desenvolvimento de novos produtos e na participação em eventos e feiras. Crescemos 10% em vendas se compararmos os números com o primeiro semestre do ano passado, afirma Krisgner.


