Rio de Janeiro - A retração do consumo interno está reduzindo a utilização da capacidade instalada de segmentos importantes e que dependem da demanda doméstica, como automóveis, embalagens e alimentos. Todas as montadoras tomaram providências para reduzir a produção, como férias coletivas ou banco de horas, ainda que nenhuma tenha efetuado demissões, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas internas de automóveis caíram 8,2% no primeiro semestre, em relação a igual período do ano passado.
A capacidade instalada da indústria automobilística é de 3,2 milhões de unidades, mas a previsão da Anfavea é que neste ano seja produzido 1,8 milhão de unidades, o mesmo que nos anos de 2001 e 2002. O primeiro semestre se encerrou deixando um estoque de 160 mil unidades.
Um dos segmentos considerado termômetro do comportamento do consumo interno, a indústria de embalagens interrompeu este ano o crescimento anual de 10% obtido nos últimos cinco anos. Houve queda de produção de 5,5% no acumulado de janeiro a maio contra igual período do ano passado.
Fábio Mestriner, presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre) atribui a situação à queda de consumo interno, principalmente no setor de alimentos e bebidas, que responde por 60% dos clientes das empresas de embalagem. ''Algumas categorias em alimentos e bebidas estão perdendo 30% e a queda está atingindo até setores que vinham dobrando ano a ano como o de suco pronto para beber, que caiu 10%'', afirmou.
A indústria alimentícia está operando neste ano, em média, com utilização de capacidade instalada de 71,5%, menor do que os 74,5% da média do ano passado. Segundo o coordenador do departamento de economia da Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia), Denis Ribeiro, o setor está ''um pouco devagar, aquém do padrão normal'', devido à retração do rendimento médio dos trabalhadores e da queda do consumo interno.
Ele esclarece que os dados já contabilizados pela Abia referem-se apenas até maio e, portanto, não incluem a queda de consumo de junho esperada para a indústria por alguns economistas. Ribeiro disse que a manutenção das exportações de US$ 5,3 bilhões de alimentos processados no acumulado dos seis primeiros meses deste ano, mantendo-se no mesmo nível do primeiro semestre do ano passado, ajudaram o setor a elevar em 3,5% a produção de janeiro a maio em relação a igual período de 2001.

mockup