Indústrias reclamam da perda de terrenos para cemitério
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terça-feira, 10 de julho de 2012
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
A decisão da Prefeitura de instalar um cemitério na Gleba Primavera (Zona Norte) desapontou empresários que haviam ganhado terreno do Município para construir suas fábricas no local. Embora as doações tenham sido formalizadas por meio de projetos de lei aprovados na Câmara durante a administração do ex-prefeito Nedson Micheleti (PT), as indústrias não puderam se instalar até hoje por falta de infraestrutura (luz, água, meio-fio) e de licenciamento.
Diretor da MGL Mecânica de Precisão, Marcus Vinicius Gimenes lamentou a decisão da Prefeitura. Em 2007, ele ganhou uma área de 45 mil metros quadrados para onde pretendia transferir a empresa que hoje tem sede em Cambé. ''A gente ficou surpreso porque a infraestrutura prometida e o Plano Diretor previa que a região seria industrial e não um cemitério'', afirmou.
Em várias situações nesta e na administração anterior, Gimenes diz que procurou o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para negociar a infraestrutura e o licenciamento do terreno. ''Fizemos várias propostas, inclusive a de que a doação fosse revertida e o Município vendesse a área para nós.'' Mas, de acordo com ele, a Prefeitura nunca resolveu o problema.
Atualmente, a fábrica de ferro fundido usinado, que tem como clientes empresas como a Mercedes-Benz e a Atlas, emprega 60 pessoas. No novo terreno, ela pretendia investir ''de início'' R$ 4 milhões. ''Infelizmente, fomos procurados há três semanas pela Codel para informar que o Município vai construir o cemitério. Não nos deram alternativa'', declarou.
O industrial Adolfo Manfrin Guimarães Ribeiro também se revoltou com a decisão da Prefeitura. Diretor da Brazil Química, que produz raticida e formicida, ele afirma que chegou a fazer um acordo com o ex-presidente da Codel, Mário Kumagai. ''Nós pagaríamos a infraestrutura e o Poder Público concederia as licenças'', disse. O acordo, no entanto, não teria sido cumprido pelo Município.
Ribeiro afirmou que contava com uma parceria com um grande grupo industrial de São Paulo para alavancar o negócio. ''Levamos os diretores dessa empresa para falar com o Kumagai, mas ele nunca nos deu resposta sobre o licenciamento do terreno'', ressaltou.
A Brazil Química funciona no Parque Kiugo Takata, na Zona Sul, onde emprega 15 pessoas. ''Na nova sede empregaríamos cerca de 40 funcionários. Já recebemos ultimatos da Vigilância Sanitária e do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para deixarmos o local por causa do tipo de atividade que exercemos. Agora não sei para onde ir'', reclamou.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas (Sindimetal), Valter Orsi, criticou a Prefeitura. ''Fala-se muito em industrialização, mas o que a gente vê é o desrespeito do Poder Público com os compromissos que assumiu. É preciso ressaltar que os terrenos foram doados por meio de leis que passaram pela Câmara'', afirmou.
Segundo Orsi, agindo assim, o Município desestabiliza e desestimula as empresas. ''Por isso é que os empresários deixam de acreditar no Poder Público'', declarou.
Já Ary Sudan, diretor Industrial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), disse que entende as razões do Município. ''Cemitério é uma infraestrutura que todo mundo precisa, mas ninguém quer por perto.'' Para ele, o fato de tratar-se de uma região industrial colaborou na decisão da Prefeitura. ''Ali não haverá resistência por parte da população'', afirmou. .
A FOLHA tentou falar com Mário Kumagai, mas ele não atendeu o celular.


