Indústrias querem milho de GO e MS
Vânia Casado
De curitiba
As indústrias abatedoras de aves do Paraná estão pressionando a Conab para receber o mesmo tratamento dado no início do ano às indústrias gaúchas. Naquela época as indústrias do Rio Grande do Sul estavam com carência de milho e o Ministério da Agricultura autorizou a remoção dos estoques de milho do Paraná para aquele Estado. Agora o produto está faltando aqui e as indústrias querem que a Conab faça a recomoção de 300 mil t de milho, estocadas em Goiás e no Mato Grosso.
O pedido foi encaminhado à Brasília, mas até agora não houve resposta e as indústrias já estão impacientes, informou Ícaro Fiechter, diretor executivo da Avipar (Associação das Empresas de Avicultura do Paraná). A entidade afirma que o milho foi desviado para o Rio Grande do Sul e agora faz falta por aqui. A escassez do produto está influenciando na alta de preço do produto, que já atingiu o patamar de R$ 10,00 a saca, e a preocupação é com os custos de produção. As indústrias estão repassando o frango a R$ 1,10 ou R$ 1,15 o quilo e não encontram muito espaço no varejo para elevar o preço.
Segundo Fiechter, as indústrias paranaenses não descartam a importação do produto, mas antecipa que a operação poderá inviabilizar a atividade. Hoje os custos de produção estão equilibrados e com uma margem pequena. Com a importação, a diferença de câmbio vai eliminar essa margem, sem falar que a qualidade do milho importado é pior do que a produção paranaense. A preocupação com a escassez de milho até o final do ano é com a saúde financeira das indústrias.
O Deral acredita que em pouco tempo haverá falta de milho no Paraná. Segundo o médico veterinário Athaíde Miranda, a comercialização da safrinha está sendo muito rápida e ele prevê a necessidade de importar o milho dos Estados Unidos ou da Argentina a preços superiores aos R$ 14,00 a saca.
Se essa alta se confirmar, Miranda estende a preocupação da Avipar de que muitas indústrias poderão ficar inviabilizadas economicamente, para os produtores. Isso porque além do custo da ração, eles têm que arcar com outros custos.
Conforme levantamento feito pelo Deral, em agosto, o preço do frango de corte pago ao produtor foi de R$ 0,68 o quilo. No atacado o frango congelado foi vendido pelo preço médio de R$ 1,14 o quilo e o frango resfriado, R$ 1,13 o quilo. No varejo, o frango congelado estava sendo oferecido em média por R$ 1,23 o quilo e o frango resfriado, por R$ 1,22 o quilo. Miranda prevê uma queda de consumo o que poderá pressionar os preços novamente para baixo.





