Indústrias projetam retomada do milho
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quarta-feira, 24 de junho de 1998
Alda do Amaral Rocha Agência Estado 
O Brasil volta a ser um dos maiores produtores de milho. As empresas produtoras de sementes do País acreditam que a próxima safra de milho (safra de verão 98/99) deve recuperar parte da área perdida na temporada 97/98. Na primeira safra, a área de milho no Brasil foi de 9,956 milhões de hectares, 14,2% abaixo dos 11,6 milhões de hectares de 96/97, segundo os últimos dados Conab.
Prognósticos de vários segmentos da cadeia alimentar do milho convergem para um aumento de área nos principais Estados produtores. De acordo com o secretário-executivo da Associação Paulista dos Produtores de Sementes, Cássio Camargo, as empresas do setor esperam uma retomada da área perdida para a soja em 97/98, mas ainda não chegaram a um consenso sobre quanto seria esse crescimento.
Na avaliação das empresas, os fatores que devem favorecer o plantio de milho em 98/99 são o maior equilíbrio na oferta e demanda de sementes, a relação de troca favorável ao milho (a relação considerada normal é de 1,8, isto é, com 1,8 saca de milho compra-se uma de soja), os preços mais favoráveis do milho, a expectativa de ampliação do plantio direto no Brasil Central na safra de verão, o maior custo de produção nessa região devido ao maior uso de tecnologia e o desempenho abaixo do esperado da produtividade das lavouras de soja precoce.
Para Camargo, o próximo ano será de recuperação para o milho, e um dos fatores que deve impulsionar essa retomada é a oferta mais ajustada do produto neste ano. Com isso, avalia, os preços devem permanecer firmes no mercado interno, apesar da possibilidade de importação do produto argentino.
Mas a APPS enumera também fatores que poderiam estimular o plantio de soja: os produtores, tradicionalmente, optam pelo plantio de soja na safra de verão para depois semear milho safrinha, a soja tem maior liquidez que o milho e maior rentabilidade em reais por hectare. Além disso, há maior facilidade no financiamento das lavouras de soja.
Paraná O agrônomo Flávio Turra, do departamento econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), diz que os indicadores realmente apontam para a retomada do plantio no Estado, mas isso dependerá de vários fatores, como a conjuntura do mercado de soja, a situação da oferta e demanda do milho, entre outros. Segundo ele, a Ocepar deve fazer uma avaliação mais acurada sobre a perspectiva para a próxima safra mais perto do plantio.
Mas ainda que a área se recupere, diz, a produção no Estado não deve retomar seu nível considerado normal, de cerca de 8 milhões de toneladas somando safra de verão e safrinha num ano. O Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura do Paraná deve divulgar em agosto sua primeira estimativa sobre intenção de plantio de milho para a safra de verão 98/99.
A indústria moageira também trabalha com a expectativa de aumento da área plantada com milho em 98/99. O vice-presidente da Abimilho, Cézar S. Borges, aponta os preços mais altos do milho em relação ao ano passado, a normalização na relação de troca milho/soja e a necessidade de rotação de culturas como fatores de estímulo ao plantio de milho. Hoje, o preço do milho é, no mínimo, 20% superior ao do ano passado, em qualquer praça, afirmou.
Vendas de sementesDe acordo com o secretário-executivo da APPS, Cássio Camargo, as vendas de sementes para o plantio da safra 98/99 já começaram, mas de forma incipiente. O forte das vendas será em julho, segundo ele.
Conforme os dados da APPS - associação que cobre cerca de 98% da produção de sementes de milho no País -, as empresas de sementes venderam 142 mil toneladas de sementes de milho para o plantio da safra de verão 97/98 e da safrinha. Com esse volume, é possível instalar 7,710 milhões de hectares, segundo Camargo.
A diferença entre essa área estimada e a área divulgada pela Conab se deve, segundo Camargo, ao fato de a taxa de utilização de sementes não ser de 100%. Ele informou que no Centro-Sul essa taxa é de 85% e no Nordeste, de cerca de 50%. A explicação, diz, é que muitos produtores utilizam grãos de safras anteriores para fazer o plantio, as chamadas sementes de paiol. Além disso, diz, os números mostram que boa parte da área estimada não está realmente plantada.


