Indústrias podem ter know-how italiano
Indústrias podem ter
know-how italiano
Ruth Meira
Enviada à Itália
Representantes de 15 indústrias italianas do setor de alimentos iniciam, em agosto, encontros técnicos com 15 empresários do segmento em Londrina, para dar início a possíveis parcerias. A aproximação dos industriais dos dois países é resultado do Programa Paraná-Europa, que reúne, até sábado, no norte da Itáia, um grupo de mais de 50 londrinenses na Semana Brasileira de Módena. Na primeira fase das negociações, o Programa receberá US$ 280 mil, a fundo perdido, para os contatos iniciais.
As 30 empresas interessadas em integrar o projeto estão pré-selecionadas. As italianas que passarem à etapa seguinte terão financiamento, até o limite de US$ 500 mil, para os estudos de viabilidade técnica. Havendo a concretização da parceria, o crédito dobra e as empresas italianas receberão outros US$ 500 mil para a formação da joint venture. O dinheiro é repassado pela Comunidade Econômica Européia.
O presidente do Paraná-Europa, Remo Veronesi, diz que o setor de alimentos oferece grandes oportunidades de integração econômica entre as duas cidades. Do lado do Brasil, porque é um dos setores com maiores taxas de crescimento. Além disso, o País tem terra disponível e vocação para a produção de alimentos. O casamento pode ser feliz, diz Veronesi, porque os italianos detêm grande tecnologia nessa área.
Outros setores considerados potenciais de desenvolvimento são os de bioquímica, meio ambiente e telecomunicações. A idéia do Paraná-Europa é criar um pool bilateral de empresários para desenvolver o que, na Itália, é chamado distrito industrial.
O modelo, respeitado mundialmente como um dos mais eficientes sistemas de produção, foi discutido por integrantes da delegação londrinense ontem, com o presidente da Confindústria, Alberto Mantovani. Ele representa 430 mil indústrias da região da Emilia-Romagna - onde se situa a província de Módena. A renda per capita dessa área do norte da Itália é de US$ 16.470 ao ano. O Paraná conta hoje com 28 mil indústrias e apresenta renda per capita de US$ 3.200.
Aos integrantes da missão londrinense, Mantovani disse que a Confederação já fez a sua parte, divulgando as potencialidades de Londrina e de outras cidades paranaenses junto aos empresários italianos. Agora cabe aos empresários brasileiros definir o que eles desejam, o que pretendem em termos de parceria e virem até aqui propor negócios, afirmou.
Os londrinenses devem deixar claro quais são as duas demandas, observou, para multiplicar os contatos e facilitar a aproximação com possíveis parceiros italianos. Não temos dúvidas mais que o Sul do Brasil oferece grandes oportunidades de negócios, por ser uma região produtiva e sem os inconvenientes de centros como São Paulo, por exemplo.
O prefeito de Londrina, Antônio Belinati, quis saber se a estabilidade da economia brasileira poderia facilitar negócios, mas o vice-presidente da Confederação, Franco Ferrari, observou que tanto a crise asiática como o período pré-eleitoral no Brasil atrasam possíveis investimentos.
Ontem à noite os prefeitos Belinati e Giulinao Barbolini, de Módena, oficializaram o acordo de co-irmandade entre as duas cidades. O ex-arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Magella Agnello, participou da solenidade e abençoou a união. Para hoje e amanhã estão programadas rodadas de negócios. Os encontros poderão resultar em pelo menos duas parcerias: as empresas Rota (de Cambé) e Britânia (Curitiba) devem fechar acordo com as italianas Gibertini e Ferrari, respectivamente. A programação termina no sábado com a inaguração da Praça Londrina.
A jornalista Ruth Meira viajou à Itália a convite do Programa Paraná-Europa.





