Carmem Murara
O secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, afirmou ontem que um dos primeiros impactos da recessão nacional e das medidas baixadas pelo governo federal deverá ser o recuo temporário de novos investimentos industriais no Paraná. ‘‘Há investimentos adiados neste momento por causa da economia mundial’’, disse o secretário. Ele citou como exemplo o caso da empresa Comaves, que prorrogou por tempo indeterminado o anúncio da construção de um abatedouro no município de Ubiratan, norte do Estado.
Sciarra disse que apenas com a redução das taxas de juros as empresas se sentirão mais seguras para investir em seus projetos industriais, reativando o mercado. Ele ressaltou que os financiamentos ficaram mais difíceis para os empresários, que muitas vezes optam pelo recuo nos investimentos frente a um cenário de crise.
O que não deve ser afetado, segundo o secretário, é o investimento que já está em andamento no Paraná, principalmente no setor automobilístico. As montadoras e fornecedoras já estão instaladas e, por isso, o máximo de recuo que elas podem fazer é retardar a entrada em operação ou diminuir o cronograma de produção. A Chrysler anunciou na semana passada que passou a operar apenas cinco dias da semana, liberando os funcionários às sextas-feiras.
O presidente da empresa Vemetek Têxtil & Leather, Vital Moreira, confirmou a tese do secretário da Indústria e Comércio. Moreira disse que sua empresa mantém todos os investimentos porque está atrelada à cadeia produtiva das montadoras. A Vemetek, que assinou ontem protocolo de instalação no município de Fazenda Rio Grande, fabricará tecido e couro para o revestimento de bancos para carros. ‘‘Temos de nos adequar ao pacote’’, afirmou ontem, no Palácio Iguaçu, ainda sem saber detalhes sobre as medidas. A Vemetek investirá R$ 13,5 milhões para começar a produzir, em maio do próximo ano, antendendo a montadora Audi, na primeira fase.
A Vemetek é a 28ª fornecedora das montadoras que veio para o Paraná. O Estado já conseguiu, desde 1995, atrair R$ 14 bilhões em novas fábricas. Parte deste total ainda está sendo aplicado na construção das unidades industriais.

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