Indústrias param de moer mais cedo
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quinta-feira, 28 de agosto de 1997
Vânia Casado Curitiba 
A indústria moageira de soja vai ficar ociosa antes do tempo normal por absoluta falta de matéria-prima. Normalmente, as indústrias ficam paradas durante os três meses que antecedem o início da safra. Mas este ano, considerado atípico, em função do aumento das exportações de soja em grão, as indústrias vão parar em outubro, ou seja, 4,5 meses antes do início da próxima safra. Segundo a Abiove, as indústrias moageiras vão esmagar 18,3 milhões de toneladas, o que representa 60% da capacidade instalada, avaliada em 30 milhões de toneladas, uma das maiores do mundo. A redução no esmagamento está ocorrendo em função da desoneração do ICMS das exportações de produtos primários.
Com a paralisação da indústria moageira, o estado mais prejudicado será o Paraná, afirmou Fábio Trigueirinho, secretário geral da Abiove. Isso porque das 130 unidades moageiras no país, 30% localizam-se no estado. Ele admite que as importações do grão que serão feitas neste segundo semestre vai beneficiar algumas indústrias que já estão sem matéria prima para o esmagamento. Mas lembrou que apenas aquelas localizadas nas imediações dos portos poderão ser beneficiadas porque não terão de arcar com o custo do frete, que inviabiliza a atividade, complementou.
Trigueirinho se queixa pelo fato de a produção nacional de soja pagar ICMS nas transações interestaduais necessárias para transportar o grão de um estado para a indústria moageira em outro estado, enquanto as exportações do grão estão desoneradas. Além disso lembrou que toda vez que as indústrias exportam farelo e óleo sofrem tributações pesadas em outros países, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros. A Abiove está esperando uma definição do governo federal para esse impasse. Trigueirinho admite que por enquanto as indústrias ainda têm fôlego para arcar com esse período de ociosidade, mas a medida que essa situação persistir algumas enfrentarão sérios problemas financeiros e poderão quebrar, alertou.
Importação Segundo Trigueirinho, este ano serão importadas cerca de 2 milhões de toneladas de grão, o que significa o dobro do que vinha sendo importado em anos anteriores. Isso porque as exportações do grão passaram de 3,6 milhões de toneladas no ano passado para 8,5 milhões de toneladas esse ano, esgotando a disponibilidade de matéria prima para atender o mercado interno e completar as exportações de óleo e farelo.
Além disso as importações que eram feitas nos países do Mercosul, principalmente no Paraguai, esse ano terão de ser estendidas aos Estados Unidos, único país que terá a matéria prima a partir de Outubro, porque os demais países produtores já exportaram tudo que tinham, afirmou Trigueirinho.
Ele alerta para a ameaça de o país perder a primeira colocação nas exportação de farelo de soja para a Argentina, como aconteceu há 10 anos com o óleo. Naquela época perdeu clientes no mercado externo e não conseguiu mais recuperar, lembrou. O mesmo pode acontecer agora com o farelo. Esse ano serão exportados 9,3 milhões de toneladas, que ainda colocam o Brasil na condição de maior exportador, mas alertou para o crescimento da indústria argentina que está se modernizando e não é penalizada pela estrutura tributária como está ocorrendo aqui, salientou.


