Indústrias mudam prioridade de investimento
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sexta-feira, 13 de junho de 2014
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - As incertezas em relação aos rumos da economia e da demanda têm afetado a confiança dos empresários da indústria e alterado suas prioridades quando o assunto é investir. Em 2014, 24% das indústrias de transformação devem desembolsar recursos para substituir máquinas e equipamentos, segundo dados da Sondagem de Investimentos da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado é o maior de toda a série, iniciada em 1998, apesar de a fatia ser menor do que em outros motivos listados, como expansão da capacidade de produção (27%) e aumento da eficiência produtiva (31%).
"Este não é um movimento virtuoso. Há uma tendência de desaceleração e de piora na qualidade do investimento realizado", avaliou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Aloisio Campelo. "Como a indústria já não vem investindo muito há alguns anos, essa substituição pode ser por depreciação ou por necessidade, ou não teria como manter nem o nível atual de produção", acrescentou.
A opção dos empresários pode ter a ver com a desaceleração da indústria sinalizada para o longo prazo. Em períodos de economia fortalecida, a expansão da capacidade produtiva costuma ser a prioridade, mas essa motivação atingiu a menor fatia desde 2009 (24%). Neste ano, o Ibre espera contribuição negativa da indústria de transformação no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que deve avançar 1,6%.
"Temos a indústria de transformação falando que vai investir menos neste ano. Além disso, há desaceleração relativamente expressiva na indústria da construção", afirmou a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre. Segundo ela, a expansão dos investimentos ligados à infraestrutura ficou aquém do esperado, criando uma frustração muito grande no setor. "O investimento só vai voltar quando tiver sinalização de mudanças, o que deve ficar para o ano que vem", disse.
Setores
Entre os setores da indústria de transformação, os produtores de bens de capital são os menos otimistas em relação a investimentos nos próximos 12 meses (a contar a partir do segundo trimestre deste ano, quando a sondagem foi apurada). "Eles estão esperando demanda muito fraca e o pessimismo se retroalimenta", afirmou Campelo. Outro segmento que piorou sua avaliação sobre inversões é o de bens intermediários, justamente o que tem o maior peso na atividade manufatureira do País. "Curiosamente, a piora nem é tão acentuada nos duráveis. Mas no terceiro trimestre já havia tido um baque, pois os juros já tinham começado a subir", relativizou o economista.
A piora da confiança em relação à evolução da economia no longo prazo é o que tem pesado mais para derrubar as intenções de investimento, afirmou Campelo. "Há desapontamento com o crescimento recente, e a previsão é de que não haverá reversão no longo prazo", citou. Além disso, as incertezas sobre a demanda são relacionadas como fatores limitativos para as indústrias.
O Ibre prevê que, a despeito do crescimento da economia, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - como os investimentos são contabilizados no PIB - terá recuo de 2,0% em 2014, após avanço de 5,2% no ano passado. No início deste ano, os investimentos já começaram no terreno negativo, com queda de 2,1% no primeiro trimestre em relação aos três últimos meses de 2013. "A piora do investimento tem muito a ver com o estado da economia como um todo", disse Silvia.


