A instalação de montadoras e a consequente vinda de fornecedores estáá mudando a vida dos moradores de muitos municípios do Paranáá. A geração de empregos e a expectativa de crescimento econômico, que começa a se acentuar a partir deste ano - quando algumas indústrias acionam a linha de produção -, mudam também a fisionomia de cidades da Região Metropolitana de Curitiba, que perdem definitivamente a característica de ‘‘dormitórios’’.
‘‘Resolvemos definitivamente o problema do desemprego na cidade e agora podemos nos preocupar com projetos para melhorar a qualidade de vida da população’’, afirma o prefeito de Campo Largo, Newton Puppi.
A euforia do prefeito é melhor entendida por meio de números e das perspectivas que as empresas levam a todo o Estado. Desde o início da política de atração de indústrias, promovida pelo governo do Estado em 1996, o Paranáá jáá recebeu R$ 14 bilhões em investimentos, proporcionando a geração de 95 mil empregos diretos e outros 385 mil indiretos quando as empresas estiverem em plena operação. ‘‘Começamos uma vida nova, com a missão de consolidar ainda mais esse projeto de crescimento’’, afirma Puppi.
O município de Campo Largo é um dos principais exemplos da mudança que o Estado vem sofrendo. Com grande concentração de indústrias do setor ceramista, a cidade começou a assistir no início da década de 90 ao esfacelamento de sua economia, com a concorrência da porcelana e da louça chinesa. Háá dez anos, esse setor empregava 36 mil pessoas, passando para cerca de 12 mil funcionáários atualmente. A produção é a maior do País e apresentou queda de 20%.
‘‘A crise abalou a cidade, mas a formação de um novo parque industrial traz novo fôlego para os empresáários e população’’, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Cerâmica, Louça e Porcelana do Paranáá, José Canisso. Nos próximos dois anos, o município vai receber investimentos de aproximadamente R$ 850 milhões. O grande impulso foi dado com a instalação da Chrysler, que vai investir R$ 315 milhões e gerar 400 empregos diretos.
A situação é semelhante em outros municípios do Estado. Quatro Barras, também na Região Metropolitana, começa a sentir mudanças consistentes em sua economia. Segundo o secretá© ário municipal de Indústria e Comércio, Celso Egidio Lopes, a cidade tinha necessidade de gerar 350 empregos para acabar com o problema do desemprego e deixar de lado a característica de ‘‘dormitório’’.
Impulsionadas pela política do governo, cinco empresas jáá assinaram protocolos de instalação no município e vão investir cerca de R$ 90 milhões. A previsão da prefeitura é chegar a R$ 120 milhões em investimentos, com geração de 1.300 empregos.
A posição estratégica de Quatro Barras tem beneficiado os municípios vizinhos: Colombo, Pinhais, Piraquara e Campina Grande do Sul. O Contorno Leste vai desviar o trááfego pesado do centro e facilitar o acesso com Curitiba. Os operáários das empreiteiras e que estão construindo as instalações das empresas acabam movimentando o comércio local e aquecendo a economia.
Em Irati, no Centro-Sul do Paranáá, a instalação de uma unidade da Siemens jáá mexeu com toda a economia local. Os reflexos da transformação proporcionada pela industrialização podem ser sentidos também no comércio local, que vive um período de euforia, com a abertura de novas empresas e a criação de empregos em todas as ááreas.
‘‘Nós só temos que comemorar e dar continuidade a esse trabalho de desenvolvimento’’, diz o prefeito de São José dos Pinhais, Luiz Carlos Setim, que também presencia uma revolução industrial com a chegada da Audi/Volkswagen e Renault e seus fornecedores.

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