A entressafra da soja chegou mais cedo este ano e a oferta de matéria-prima para esmagamento está bastante reduzida. Como consequência, as indústrias menores já pararam as atividades e as de maior fôlego devem prosseguir com o esmagamento no máximo até outubro. Depois disso, param também.
A expectativa é que da supersafra nacional de soja colhida este ano que atingiu 26,4 milhões de toneladas, apenas 5% ainda estejam nas mãos dos produtores. Ou seja, a disponibilidade é de aproximadamente 1 milhão de toneladas do grão, concentrada entre os Estados do Rio Grande do Sul e Paraná.
Reflexo no preço Com a escassez de matéria-prima, aquecem as cotações do grão no mercado interno, analisa Flavio França Júnior, da agência Safras e Mercado. Os preços no atacado evoluíram de R$ 19,00 a saca na semana passada, para R$ 19,50, ontem.
O produtor que recebeu em média R$ 16,88 a saca na semana passada, recebeu ontem R$ 17,23, ou seja, um aumento de 2% em uma semana. Já no mercado externo o movimento é inverso. Ou seja, a expectativa é de baixa nas cotações de soja da Bolsa de Chicago com a proximidade de colheita da maior safra dos EUA, estimada em 75 milhões de toneladas.
Chicago não influi Ocorre que neste período de entressafra o mercado interno deixa de sofrer a influência da bolsa norte-americana. E este ano considerado atípico deverá ter um período mais longo de entressafra, em função de a comercialização ter sido muito rápida, afirma França. Naturalmente os preços revelam essa escassez, onde existe o interesse de compra mas a oferta é mínima, justificou.
O analista acrescentou que o mercado está regionalizado, com baixo volume de negócios e restritos às localidades onde ainda se encontra o grão. Às vezes passam dois ou três dias sem que seja fechado um negócio, acrescentou.
Flávio França Júnior alerta que o momento começa a ficar perigoso para quem está pressionando os preços do grão para cima. Ele reconhece que o quadro de escassez leva ao aquecimento nos preços, mas adverte que a liquidez vem diminuindo. Com a paralisação gradativa das indústrias, o grão pode até valer o que os produtores ou cooperativas estão pedindo, mas poderá faltar comprador, avisa.
Além disso, a chegada da soja importada dos EUA pelas grandes empresas vai afetar o mercado, afirma França Júnior. Mas não dá para se iludir e pensar que o preço vai abaixar. Certamente vai evoluir até o nível de liquidez do mercado, concluiu.

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