Indústrias estão prevendo aumento na moagem de soja
Vânia Casado
A indústria de soja está aguardando a colheita para retomar a moagem. As máquinas estão paradas há 6 meses e o mercado ainda não tem volume de matéria-prima suficiente para reativá-las. A previsão da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) é que este ano a comercialização da soja será gradual, ao contrário do ano passado quando as negociações foram rápidas e se concentraram no início da temporada. Além das indústrias, o comércio varejista também aguarda a entrada da safra de soja no mercado, para ver restabelecida a estabilidade no preço do óleo de soja ao consumidor.
A safra nacional deverá ser confirmada em 30 milhões de toneladas, um recorde de produção. Esse ano a indústria esmagadora de soja está disposta a disputar o grão com os exportadores e a ordem é esmagar mais. A Abiove calcula que deverão ser esmagadas 21,2 milhões de t, superior à cota do ano passado, quando as indústrias esmagaram 18,8 milhões de t.
Não dá para ficar com as máquinas paradas e ver os caminhões carregados com o grão passarem na porta da fábrica em direção ao porto, como ocorreu no ano passado, justificou Fábio Trigueirinho, diretor da Abiove.
Em função da disputa mais acirrada pela soja o volume de embarques de soja em grão deverá ser menor. A previsão da Abiove é que esse ano serão exportadas 7,5 milhões de toneladas esse ano. No ano passado foram embarcadas 8,3 milhões de toneladas. O aumento de produção da soja vai influenciar na redução da importação, em regime de draw-back que normalmente ocorre no segundo semestre. Essa operação complementa a oferta de matéria-prima necessária para as empresas cumprirem os contratos de exportação de óleo e farelo de soja.
Com a elevação no volume de esmagamento, as exportações de farelo e óleo também serão maiores. Segundo a Abiove, deverão ser produzidos 16,7 milhões de t de farelo e exportados 11,2 milhões de t. No ano passado a produção de farelo foi de 14,9 milhões de t e 9,8 milhões de t exportadas. O consumo interno se mantém ao redor de 5,5 milhões de t. A produção de óleo avança de 3,6 milhões de t na safra passada para 4 milhões de t esse ano. A exportação acompanha o aumento de produção, passando de 1 milhão de t de óleo exportadas no ano passado, para 1,32 milhão de t que deverão ser exportadas esse ano.
Preço do óleo A entrada da safra a partir de fevereiro deve provocar o recuo no preço do óleo de soja ao consumidor. Segundo o secretário executivo da Associação Paranaense de Supermercados, Moacir Moura, a previsão é que o produto volte a ser negociado em torno de R$ 0,90 a lata ao consumidor. Atualmente, o preço está estabilizado, mas num patamar alto, em torno de R$ 1,20 a lata, explicou.
Segundo Moura, a elevação no preço do óleo de soja ocorrida esse ano, a mais alta do plano Real, foi influenciada pela alta da soja no mercado internacional. Mesmo assim, o aumento foi inferior à inflação no período, justificou. Nos últimos 3,5 anos a inflação foi de 66%, enquanto o óleo aumentou 45%. A tendência para esse ano é que os preços voltem ao patamar anterior, em função da oferta de soja que está sendo esperada em todo o mundo, concluiu Moura.





