Indústrias em benefício da preservação ambiental
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Colocar em prática ações que visam o cuidado e a preservação do meio ambiente e da sociedade como um todo deve ser o papel de qualquer pessoa ou de qualquer empresa. A Dori Alimentos, localizada em Rolândia, tem feito sua parte. Um premiado projeto de fertirrigação recupera e trata todo o efluente gerado pela indústria e abastece o Sítio Ouro Verde,®MDBO¯ ®MDNM¯ uma área agrícola de 12 hectares, distante dois quilômetros da fábrica. No local, já foi produzido feno - que era utilizado por criadores de cavalo da região - e agora está sendo feita uma experiência com a cultura de eucaliptos. A madeira poderá abastecer as caldeiras da fábrica.
O técnico em gestão ambiental da empresa, Juliano Pimenta, conta que o projeto foi implantado em 2003 com o objetivo de dar uma destinação correta a toda água que era descartada pela empresa. Atualmente, são gerados por dia 100 metros cúbicos de efluente industrial - água usada para limpeza de piso, por exemplo - e 25 metros cúbicos de resíduos sanitários. ''A empresa foi crescendo e era preciso dar um destino correto para esse efluente. Desenvolvemos o projeto, compramos o sítio aqui perto e colocamos em prática'', lembra. Antes o resíduo era terceirizado ou inflitrado no próprio solo.
Segundo o técnico, todo o efluente gerado na fábrica de Rolândia é tratado em duas estações locais antes de seguir para a irrigação do sítio, por meio de uma tubulação subterrânea. No caso dos resíduos industriais, o processo acontece basicamente em seis etapas. ''A primeira é a do peneiramento onde são retidos e separados os sólidos mais grosseiros, como astes plásticas de pirulito e envoltórios de bala'', explica o técnico. Em seguida passa pelo tanque de equalização, onde a água é homogeneizada. A etapa posterior é a da floculação, quando há a adição de polímero e ocorre a primeira separação do sólido e da água.
Na parte seguinte, a da flotação, a sujeira fica decantada. ''É como se a água empurrasse a sujeira para baixo'', acrescenta Pimenta. Por meio de microbolhas de ar separa-se o lodo da água tratada. Nessa etapa, são retirados perto de 80% de gordura e sólidos. Na próxima fase, essa água quase limpa ainda passa por dois filtros: um de pedra e outro de carvão para que sejam eliminadas as últimas sujeiras. Por último, essa água ainda passa por uma manta filtrante. Os resíduos sólidos, no caso o lodo, seguem para a compostagem terceirizada.
Já o efluente sanitário é tratado na estação biológica e passa por tratamentos anaeróbicos - com bactérias que não precisam de ar para sobreviver e aeróbicos - com bactérias que precisam de ar para sobreviver. Em cada um desses tratamentos a água permanece por três dias e meio, que é o tempo da bactéria degradar a matéria orgânica, conforme o técnico. Além disso, a água também é desinfectada por ultravioleta. Depois desses processos, as águas são misturadas em um tanque e seguem para o sítio.
Pimenta observa que todo o processo é realizado sob orientação de um agrônomo da empresa. ''Essa água tratada aqui na empresa é encaminhada para análise constantemente antes de termos a certeza que pode ser aplicado no solo do sítio'', ressaltou o técnico. Amostras da água passam por análise inclusive de órgãos ambientais, como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), informou Pimenta.


