Independentemente da redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), baixada pelo governo federal, distribuidoras de carros e montadoras travam uma luta silenciosa. As concessionárias responsabilizam as montadoras pelos resultados negativos nas vendas. A Federação Brasileira de Veículos Automotores (Fenabrave) garante que as distribuidoras acumulam prejuízos desde o Real.
A margem média de lucro bruto das distribuidoras varia entre 8% e 9%, percentual considerado insuficiente pelos empresários do setor. Eles querem, agora, que as montadoras aceitem uma série de alterações no processo de venda para conseguir compatibilizar receitas e despesas. A proposta de abrir um canal de diálogo com as montadoras foi debatida durante o 8º Congresso Fenabrave, que ocorreu no início do mês, no Rio de Janeiro, e reuniu 3,1 mil participantes.
O tema de discussões foi Basta! Rentabilidade Já!, segundo o presidente regional da Fenabrave, Dalton Rispol. Ele disse que as vendas de carros estão em queda e, para agravar a situação, as concessionárias têm uma margem de lucro muito pequena. No ano passado, as montadoras venderam 2 milhões de carros zero-quilômetro. A estimativa é chegar em 98 em 1,7 milhão (-15%).
A queda de 7% na alíquota do IPI começa a provocar uma desova nos carros acumulados nos pátios das montadoras. Até a semana passada, o estoque era de 150 mil carros. Segundo o presidente regional da Fenabrave, as concessionárias estão conseguindo repassar para o preço final de um carro um desconto de até 5% como consequência da redução temporária da alíquota do IPI. Mas o que de fato está ocorrendo é um aumento dos descontos, pois o preço de tabela dos carros não sofreu redução. O que vale mesmo, admitiu Dalton Rispol, é pechinchar para que as revendedoras abaixem os preços.
BalançoNos primeiros 10 dias de agosto, apesar da redução da alíquota do IPI, foram vendidos, em todo o País, somente 188 veículos mais do que no mesmo período do mês passado. O aumento de 0,90% das vendas no varejo foi considerado tímido. Mas no atacado - das fábricas para a rede - o crescimento foi de 51,8%. No período, as montadoras distribuíram aos concessionários 34.059 veículos, 12.618 mais do que no mesmo período do mês anterior. Já as vendas das concessionários para o consumidor final somaram 21.153, somente 188 mais do que nos primeiros 10 dias de julho. As informações são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea). A queda do imposto começou a valer no dia 4.

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