As indústrias paranaenses já estão sentindo os reflexos da crise financeira instalada no mundo. E estes efeitos podem ser positivos ou negativos, dependendo do segmento. A avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), é que setores ligados ao agronegócio - principalmente à exportação de produtos processados - estão faturando mais, influenciado pela forte alta do dólar. No entanto, segmentos que dependem da importação de insumos, componentes ou matéria-prima para fabricação - como eletroeletrônicos e informática - estão com mais dificuldades, também devido à variação cambial.
Mas a maior preocupação da Fiep é com o próximo ano. Isso porque a produção industrial seguiu firme até este mês para atender os pedidos do varejo para o final do ano, que já foram entregues. ''Nossa preocupação é com o planejamento da produção industrial para o ano que vem. Agora o momento é de cautela, de observação das tendências gerais da economia'', afirma Ardisson Akel, coordenador do Conselho Temático de Comércio Exterior da Fiep. Segundo ele, entre o final deste mês e o início do próximo já deverá haver uma estimativa da produção industrial mais firme para 2009 e 2010.
Akel acrescenta que o Banco Central interviu no mercado e vendeu dólares ontem, atitude tomada para tentar acalmar os ânimos e esfriar a forte apreciação da moeda americana. A cotação que bateu nos R$ 2,40 ficou em R$ 2,28. ''Mas ainda assim o impacto é grande e vai refletir nos custos das indústrias'', salienta o coordenador. Além disso, indústrias exportadoras estão com dificuldades para obtenção de créditos para financiar este comércio exterior. A valorização do dólar também vai refletir nos custos da próxima safra, devido ao aumento de preços de adubos e fertilizantes, que são importados e, portanto, têm valores atrelados diretamente à moeda americana.
''Mas alguns setores já estão apreensivos, como a (indústria) automobilística, que registrou queda nas vendas e ainda mantém estoque de mercadorias nas revendas'', comenta Akel. Outra preocupação, segundo ele, está no mercado curitibano da construção civil. ''O crédito ficou mais caro e seletivo porque os juros subiram. Então, as construtoras que ainda não fizeram lançamentos estão reavaliando o mercado; as que já lançaram estão estudando o aumento de custos'', observa. Por enquanto, em Londrina, a produção industrial não foi afetada. Segundo a delegacia da Receita Federal, avaliação preliminar indica que em setembro a arrecadação de tributos industriais registrou crescimento se comparado com o mesmo mês do ano passado.
Varejo
Já o economista Joilson Dias, de Maringá (Região Noroeste), comenta que pesquisa realizada sobre as tendências de consumo já aponta mudanças. Segundo ele, até setembro mais da metade dos consumidores de Maringá mantinham tendência de aumento de consumo. Já neste mês, mais da metade dos entrevistados apenas mantiveram a tendência de consumo. ''Já rebaixamos nossa projeção de crescimento de vendas para o Natal. Inicialmente, a estimativa era de um aumento de 8%, agora deverá ficar entre 4% e 6%'', avalia.
O Natal estará seguro graças ao aumento do emprego formal na região que, além de aumentar vagas de trabalho no período ainda paga 13º salário aos profissionais. ''Com este dinheiro na mão os trabalhadores com certeza vão gastar mais e o Natal vai ficar dentro das nossas expectativas'', comenta.

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