Indústrias de louça pedem redução de valores do gás natural no PR
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quarta-feira, 09 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica, Pisos, Revestimentos, Louças e Porcelanas do Paraná (Sindilouças) promete apresentar, no próximo mês, junto ao Conselho de Desenvolvimento Econômico (Cade), órgão vinculado ao governo federal, denúncia contra a Companhia Paranaense de Gás (Compagas). Segundo o presidente do sindicato, José Canisso, a empresa estaria se aproveitando do fato de deter o monopólio da distribuição do gás natural para praticar preços ''abusivos'' que estariam eliminando as condições de competitividade dos produtores paranaenses.
O problema estaria no repasse dos valores praticados, seguindo tabela de variação do dólar. Entre 2002 e 2003, o dólar disparou. Mesmo com a queda do câmbio, a Compagas não teria reduzido os valores dos repasses. A cotação do dólar estaria atualmente em R$ 3,26.
''Com isso, o valor do gás natural em São Paulo acabou ficando 50% mais barato do que o do Paraná. Em Santa Catarina, o valor é 28% menor e no Rio Grande do Sul, 38%. As indústrias que estão no Paraná estão fazendo agora investimentos em outros setores'', calculou.
Atualmente, o Paraná é pólo produtor e uma das principais referências na produção nacional de porcelana, cerâmica de mesa e eletroeletrônica, bem como pisos e revestimentos cerâmicos. As indústrias, na sua maioria no município de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, são responsáveis por mais de 90% da porcelana fabricada no Brasil. São 36 empresas somente em Campo Largo e que geram cerca de 12 mil empregos.
Canisso disse ainda que o lucro líquido da Compagas, que fechou em R$ 29 milhões, ocorreu por conta do que ele chamou de ''exploração do setor de louças paranaense''.
Ele reclamou ainda que as empresas que optaram pelo gás natural não têm como mudar o sistema adotado. ''Só para fazer a conversão do sistema, o custo é de US$ 1 milhão. Não tem o que fazer, senão redirecionar os investimentos, fechar setores, gerar demissões'', considerou.
Ele mesmo já encaminhou cópias do texto que demostra a insatisfação do setor para os 54 deputados estaduais, 30 federais e os três senadores paranaenses. O setor pede que seja criada urgentemente uma Agência Reguladora de Energia no Paraná. ''Com a Compagas não tem negociação. Precisamos apelar para os canais competentes e que possam regular estes preços, evitando a exploração das indústrias de louça e cerâmica'', apontou.


