Indústrias de confecções adotam o Banco de Horas
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terça-feira, 02 de dezembro de 1997
Bete Fagundes Londrina 
Os trabalhadores nas indústrias de confecções de Londrina e região devem começar o ano contando com um forte aliado na batalha contra o desemprego. A convenção da categoria, assinada em novembro, instituiu um Banco de Horas em cláusula proposta pelos patrões. A partir de janeiro, depois de um período de férias coletivas, as empresas devem implantar o novo sistema.
Leila Aparecida Zacarias, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Londrina e Região (Sintivest), informa que mais de três mil pessoas foram demitidas nos últimos dois anos. Eu calculo algo entre três mil e trezentos e três mil e quinhentos, afirma, explicando que o volume refere-se ao trabalhador com mais de um ano de empresa e com rescisão de contrato homologada pelo sindicato. Esses números são multiplicados por dois quando consideramos o trabalho informal que existe no setor.
Leila fala que a maioria dos trabalhadores aceita o banco de horas, mas a fase ainda é de discussão. Acredito que a partir de janeiro, cerca de 600 empresas de Londrina e região estarão prontas para o sistema. Até lá, diz ela, grande parte das indústrias vai entrar em férias coletivas por 15 ou 20 dias, a contar de 19 ou 20 de dezembro. É a entressafra.
Djalma Luiz Ferreira, presidente do sindicato patronal (Sivepar), explica que com esta medida, quando a produção estiver em baixa, os funcionários ociosos serão liberados, e não demitidos. As horas não trabalhadas ficam registradas no banco e são compensadas no trimestre, em período de reaquecimento da produção. O que ele sabe dos patrões é tão desanimador quanto o quadro dos empregados. Ferreira conta que cerca de 40% das 2.100 empresas de um território equivalente a 20% do Paraná (área de atuação da entidade) fecharam as portas nos últimos dois anos.
Ferreira é um pequeno empresário do ramo que, como tantos outros, se viu forçado a derrubar a produção de 36 mil para 12 mil/peças/mês e a demitir 14 dos seus 25 funcionários. O banco de horas é a melhor saída que encontramos com os trabalhadores para tentar barrar essa onda de desemprego. Ele está agendando para a próxima semana uma palestra com o advogado do sindicato, Wilson Sokolowski. Vamos preparar os empresários para a administração do banco e consequente envolvimento da categoria - observa ele.
Sokolowski, por sua vez, lembra que a idéia surgiu na Volvo, no Paraná, e que o Senado já analisa um projeto que poderá transformar o Banco de Horas em lei. A legislação trabalhista do país, muito atrasada (é de 1943), só permite a compensação de horas no período máximo de uma semana. Mas como a medida foi aceita pelas partes, em convenção coletiva, o banco tem todo amparo legal para ser colocado em prática - esclarece.


