Indústrias de cerveja prevêem queda no consumo
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domingo, 24 de agosto de 1997
Patricio Esposito Agência Folha São Paulo 
A indústria brasileira de cerveja, a quarta maior do mundo em volume de produção, está revendo para baixo sua projeção de vendas para este ano.
O motivo, segundo as empresas, é a redução do poder aquisitivo das classes C e D, responsáveis por 80% do total consumido no país. Após o fraco resultado das vendas no primeiro semestre, nem o final do inverno e a proximidade do verão animam as cervejarias. No começo do ano, a expectativa do setor era ter um crescimento de aproximadamente 6% em relação a 1996.
Atualmente, as empresas esperam ter um aumento de 2% a 3% nas vendas. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o consumo da bebida no primeiro semestre do ano foi 1,3% menor do que em igual período de 1996. Isso significou um consumo de 3,930 bilhões de litros de cerveja no país entre janeiro e junho. No primeiro trimestre do ano, em pleno verão, as vendas foram aproximadamente 5% menores do que em 1996.
A produção brasileira de 1996 totalizou 8 bilhões de litros. Os Estados
Unidos são os maiores produtores mundiais de cerveja, com 23,6 bilhões de litros anuais.
Se o mercado crescer 2% ou 3% neste ano, será excelente, disse o
vice-presidente de assuntos corporativos da Cervejaria Kaiser, Carlos
Eduardo Jardim. Não há aumento real de salários. A Kaiser, que trabalha com projetos para novos produtos e embalagens, não cogita fazer nenhum lançamento no momento, em parte devido ao fraco desempenho das vendas, segundo Jardim.
A Antarctica também prevê um crescimento do consumo em torno de 2% neste ano, mas espera elevar a participação de mercado.
Vamos investir US$ 15 milhões em campanhas para lançar uma nova marca
com preço cerca de 10% abaixo das outras, afirmou o diretor de marketing da empresa, Carlos Poletini.
A nova marca - Bavária, em lata e garrafas de 600 ml - estará nos
pontos-de-venda já a partir de hoje. A campanha publicitária começa em setembro.
A Antarctica passou três anos racionalizando sua operação e melhorando sua produtividade; agora, está mais voltada para o mercado, afirmou Poletini. A empresa promete novos lançamentos de marcas e embalagens a partir de setembro.
A Brahma não comenta suas estratégias para os próximos meses. Como companhia de capital aberto, com ações negociadas na Bolsa de Valores, a empresa se limita a divulgar seus relatórios.


