Curitiba As grandes indústrias de louças e porcelanas de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, pretendem deslocar a produção para outros Estados, para compensar a perda de competitividade com a diferença no preço do gás natural, que incide em 10% no custo do produto. Enquanto a Petrobras anunciou um reajuste de 36% para o gás natural enviado para o Sul do País, as demais regiões terão um reajuste de 16,5%.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça e Porcelana no Paraná (Sindilouças-PR), José Canisso, as indústrias vão enviar os minerais, encontrados em Campo Largo, para suas plantas em outros Estados, onde o produto será acabado. As grandes indústrias de pisos e revestimentos deverão deslocar a matéria-prima para plantas localizadas em Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Jundiaí (SP). Uma grande indústria que produz isolador de porcelana deverá transferir a produção para São Paulo, onde o preço do gás será mais barato. O mesmo deve acontecer com as grandes indústrias de porcelana, disse Canisso.
Esse quadro foi uma das discussões que ocorreu ontem, durante o Fórum Industrial Parlamentar Sul, onde os industriais vinculados às três federações de indústrias do Sul do País foram reivindicar a isonomia do reajuste para o gás natural. Os empresários entregaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, questionando a decisão da Petrobras em manter reajustes diferenciados para o gás natural.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, em função do alto custo, há possibilidade de empresas paranaenses serem obrigadas a buscar outras matrizes energéticas. ''Esta situação pode ter reflexos na rentabilidade das indústrias e nos empregos'', alertou.
Estudos dos integrantes do Fórum indicam que a Região Sul pode reduzir em 36% o volume de consumo do gás natural em função da pressão provocada pelo reajuste. Os três Estados têm atualmente 53 municípios atendidos pelo combustível. São mais de 250 indústrias usuárias, o que representa 11% do total consumido no país.
O fornecimento de gás natural para o Sul do País se tornou problemático desde que a Bolívia, único fornecedor, instituiu a lei dos hidrocarbonetos, que aumentou a tributação de 18% para 50%.
Segundo Canisso, há uma possibilidade de construir uma interligação da tubulação de gás que abastece o Sul do País com o litoral de São Paulo, onde a bacia de gás natural de Santos é uma das maiores do País. Mas essa estrutura está prometida para 2008, disse
Canisso criticou também o procedimento da Compagas, por ser a única empresa do Sul do País que não mostra suas planilhas. Ele suspeita que o subsídio que era dado pelo Petrobras à distribuidora não foi repassado integralmente aos consumidores. Questionada pela Folha, a Compagas não respondeu.

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