Indústrias de autopeças podem demitir em massa
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quinta-feira, 25 de maio de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As indústrias de autopeças do Paraná estão à beira de uma grande demissão em massa de trabalhadores. A afirmação é do presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal-PR), Roberto Karam. Ele disse que, se a Volkswagen localizada em São José dos Pinhais (RMC) reduzir a produção pela metade, vai atingir 80 empresas que produzem peças em Curitiba e Região Metropolitana.
Estas empresas vendem, em média, 30% do que produzem para a Volkswagen. Com a redução na produção na unidade do Paraná da montadora, 7 mil empregos diretos e indiretos poderiam ser cortados. Hoje a cadeia automotiva emprega 20 mil a 25 mil pessoas nos setores de peças e serviços. A maior parte destas empresas está localizada em Curitiba e Região Metropolitana, próximo as montadoras.
Segundo ele, a situação das 13 empresas fornecedoras da Volks que estão dentro do mesmo terreno da montadora seria ainda pior dentro deste cenário. ''Se a Volks reduzir a produção pela metade, as 13 fornecedoras reduzem a produção e os funcionários pela metade'', disse. Ele não acredita que a Volks feche as portas no Paraná porque a fábrica do Estado é uma das mais modernas do mundo.
Karam disse que o cenário para as empresas de autopeças está muito ruim no Paraná. ''O câmbio dificulta. Além disso, o Paraná tem dificuldades com logística e com o Porto de Paranaguá'', afirmou. De acordo com ele, existe a intenção das empresas de autopeças do Paraná de procurar outros Estados como Santa Catarina que tem portos com funcionamento melhor. ''O Porto de Paranaguá está praticamente parado. Nada impede as empresas de irem para Santa Catarina se a pressão no Paraná começar a ficar muito grande'', lembrou.
Para ele, ainda há outro problema sério que é a concorrência com a Argentina e o Paraguai. A Argentina tem hoje um câmbio mais realista, ou seja, mais exportador.
Em relação a Tritec - empresa de motores que está sediada em Campo Largo - ele acredita que é quase certeza que vai fechar as portas. ''Com a Chrysler aconteceu a mesma coisa'', destacou. ''A Tritec é uma empresa modelo, de alta tecnologia, pode funcionar aqui ou em qualquer lugar'', disse.
Para Karam, de maneira geral, o cenário é muito ruim. ''As empresas de autopeças não são vistas como algo importante'', afirmou. O ponto positivo, segundo ele, é o dólar mais baixo que facilita a importação de máquinas e tecnologias. As vendas do setor de autopeças tiveram uma queda de 13% nas vendas só neste ano.
Ele destacou ainda que o índice de peças feitas no Paraná para utilização nos carros das montadoras não chega a 4%. Segundo ele, as montadoras preferem comprar peças de empresas de outros Estados ou outros países.
Varejo - Na outra ponta, o varejo que opera com peças de reposição e acessórios para veículos vai bem. ''Quando a crise afeta a venda de veículos novos, o nosso setor fica mais aquecido'', disse o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos, Peças e Acessórios para Veículos do Paraná (Sincopeças-PR), Ari dos Santos. O setor é formado por 3 mil empresas no Estado e emprega 60 mil funcionários. Em 2005, o segmento faturou R$ 2 bilhões e para este ano é esperado um crescimento de 10%.


