Uma nova linha de produtos orgânicos, com o aval do Greenpeace, foi lançada em São Paulo por um grupo de empresas, liderado pela Univalem, usina que há mais de um ano comercializa açúcar orgânico no País. A marca EcoLinea, com dez produtos brasileiros e quatro importados tem a certificação do Instituto Biodinâmico (IBD), principal certificador de orgânicos na América do Sul.
Além do açúcar, a EcoLinea trabalha com oito sabores de geléia, bananada, bala de banana, banana-passa, arroz, três sabores de sucos, garapa, farinha de trigo e café, produzidos em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A marca venderá também azeite, vinagre balsâmico, macarrão e molho de tomate importados da Itália.
Segundo Diogo Hashimoto, diretor comercial da Univalem, foram investidos R$ 2 milhões no lançamento da linha de produtos. ‘‘Não esperamos retorno a curto prazo, mas em cinco ou seis anos, pois estamos investindo em um novo conceito’’, diz. Os produtos EcoLinea deverão estar nas principais redes de supermercados, mas com preços médios cerca de 40%maiores do que os de produtos convencionais. ‘‘Buscamos um consumidor preocupado com saúde e meio ambiente, que não se importa de pagar mais’’.
Para Hashimoto, os produtos orgânicos devem ter os custos reduzidos à medida que a escala de produção aumentar. ‘‘A criação da EcoLinea deve colaborar para isso, pois vamos dividir custos de distribuição, marketing e comercialização’’, diz. A idéia da criação da marca surgiu em encontro de produtores certificados pelo IBD.
A Univalem exportava açúcar orgânico certificado há dois anos quando resolveu comercializar o produto também no Brasil. Atualmente, os produtos orgânicos da usina, localizada em Valparaíso, em São Paulo, correspondem a 10% da produção de álcool (totalmente exportado para fins farmacêuticos e fabricação de vinagre) e 30% da produção de açúcar. Do faturamento de R$ 70 milhões/ano da empresa, os orgânicos respondem por 20%.
O alimento orgânico é resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar, de forma equilibrada, o solo e demais recursos naturais, visando sua conservação a longo prazo. Não admite o uso de agrotóxicos, transgênicos ou fertilizantes químicos. Atualmente, o Instituto Biodinâmico conta com 65 mil hectares certificados no Brasil, com 70% da produção voltada para o mercado externo. ‘‘Somos monitorados pela International Federation of Organic Agricultura Movements (IFOAM) e pelo Deutscher Akkreditierungs Rat (DAR), que garantem o reconhecimento do nosso selo nos Estados Unidos, Japão e Europa’’, diz Alexandre Harkaly, vice-presidente do IBD.
Madeireiro Outro setor onde tem crescido a procura pela certificação é o madeireiro. Atualmente, existem 44 empresas com produtos certificados no Brasil pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal), selo internacionalmente mais aceito na área. O próximo produto certificado a chegar ao mercado será uma linha de 70 modelos de martelo fabricados pela Tramontina.
Os martelo terão cabos de eucalipto proveniente de floresta explorada de forma ecológica, social e economicamente adequada, conforme as regras do FSC. A empresa buscou a certificação para atender às exigências de alguns clientes europeus e já exporta o produto para a Inglaterra. A madeira é fornecida pela Cascol, de Telêmaco Borba, no Paraná. ‘‘Essa certificação é importante no contexto brasileiro por tratar-se de um produto de uso popular que pode ser encontrado na prateleira do supermercado’’, diz Walter Suiter,
secretário-executivo do Grupo de Trabalho do FSC no Brasil.

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