A atual cotação do dólar - em torno dos R$ 2,15 - praticamente inviabiliza as exportações de todas as cadeias industriais e do agronegócio. No entanto, esse período de baixas está fazendo com que alguns pólos exportadores mudem suas estratégias de atuação para não perder vendas. O pólo moveleiro de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), por exemplo, já foi em busca de novos mercados consumidores na África e América Central. O comércio com o Mercosul, os Estados Unidos e a Europa foi bastante reduzido.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Móveis (Abimóvel), as exportações do setor vinham crescendo a um patamar de 20% ao ano. Em 2005, o comércio internacional cresceu apenas 5% e a expectativa para esse ano é de uma redução de 5%, comparando com o período anterior. Em Arapongas, onde está instalado o segundo maior pólo moveleiro do País, 19 indústrias exportadoras se juntaram e formaram o Consórcio de Exportação (Conecx). O grupo exporta para 22 países. Segundo dados do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima) cerca de 14% da produção é exportada. No ano passado, o faturamento com o comércio exterior foi de US$ 48,8 milhões, um aumento de mais de R$ 6 milhões sobre 2004.
''Os mercados americanos e europeus não conseguem aceitar um aumento de 30% em um produto porque a taxa de juros nesses países é de cerca de 3%'', comenta Rajanand Albano da Costa, diretor-geral do Conecx. O consórcio foi formado há três anos e chega a movimentar cerca de US$ 4 milhões por ano. Ele explica que nesses países, os móveis brasileiros têm que competir com a produção local e com a China, também um dos maiores fornecedores de móveis do mundo.
De acordo com Costa, os chineses têm algumas vantagens para a produção como câmbio fixo há mais de oito anos, custo de financiamentos mais baixos, juros zero, além de leis trabalhistas mais flexíveis, custo da mão-de-obra mais baixo e carga tributária reduzida. ''Temos um mercado interno forte. As indústrias que só exportam têm que ser mais criativas e ousadas'', comenta o diretor-geral do Conecx. Ele acrescenta que o foco da produção é a linha econômica, vendida em grandes magazines.
Os móveis mais vendidos são os chamados ''centros de entretenimento'' (racks e estantes) e as escrivaninhas. ''Não conseguimos competir com a China na linha de estofados. No Brasil, a fabricação de um estofado requer entre 30% e 40% de mão-de-obra e quanto mais mão-de-obra é utilizada, mais diminui a nossa competitividade'', explica.
A Moval, por exemplo, conseguiu manter as exportações porque foi em busca de outros mercados. ''Estamos vendendo para a África, Centro-América, mas deixamos de exportar para o Mercosul e os Estados Unidos. Continuamos exportando para a Europa, mas mudamos alguns produtos para baratear nossos custo'', comenta Ivan Cleber Martim e Oliveira, diretor-administrativo da Moval. A indústria exporta entre 15% e 25% do total da sua produção. Segundo Oliveira, além do câmbio desvalorizado, as matérias-primas nacionais, utilizadas na fabricação de móveis estão mais caras.

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