Indústrias ainda pretendem aumentar preços
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quarta-feira, 28 de abril de 2004
Paula Puliti<br> Agência Estado 
São Paulo - A Sondagem Conjuntural da indústria de transformação, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que 40% das 1.005 empresas ouvidas pretendem elevar os preços neste segundo trimestre. O número, divulgado ontem, revela uma queda de 3 pontos porcentuais na intenção de aumentar os preços, quando comparado com a pesquisa de janeiro. Ainda assim, o resultado mostra que os preços das commodities internacionais, sobretudo as metálicas e o petróleo, ainda pressionam os preços na indústria.
A pesquisa divulgada em janeiro foi cuidadosamente observada pelo Banco Central na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) naquele mês, que decidiu pela interrupção na trajetória de queda da Selic.
De acordo com o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo Júnior, o resultado parece indicar, no entanto, menos chances de que os reajustes de preços cheguem ao varejo. Isso porque é bastante clara que a pressão de preços em abril está ligada a preços determinados pelo mercado internacional, uma tendência que não deve se manter indefinidamente, já que alguns valores estão há algum tempo em níveis recordes históricos de alta.
Além disso, a sondagem mostra que caiu a pressão nos setores de química e metalurgia, com grande capacidade de diluição de alta de preços ao longo da cadeia. No setor químico, por exemplo, o porcentual de empresas que pretendem elevar os preços caiu de 29% para 20%. Já em metalurgia , a queda foi de 66% para 44%.
A sondagem indica que os empresários estão mais otimistas em relação ao segundo trimestre. O estudo, realizado em 25 Estados, mostra que as previsões para a evolução da demanda global (interna mais externa) são as melhores desde 1994, com 56% dos empresários prevendo aumento, contra 10% esperando queda. No trimestre abril-junho de 1994, 56% das empresas projetavam aumento da demanda, enquanto 6% acreditavam em queda no trimestre.
De acordo com Campelo Júnior, são as perspectivas ligadas ao mercado externo as responsáveis pelo bom resultado. Em abril, apenas 6% das empresas acreditam em queda na demanda externa. Na sondagem anterior, realizada em janeiro, o porcentual era de 21%. Já o número de empresas que acreditam em aumento da demanda externa subiu de 18% para 22%. ''Desde que iniciamos a série, em 1978, nunca registramos um número tão baixo de empresas que acreditam em enfraquecimento da demanda externa'', disse.


