Industrializar foi prioridade dramática
Industrializar foi prioridade dramática
O secretário de Planejamento, Miguel Salomão, explica que a decisão política de mudar o perfil econômico do Paraná foi tomada já durante a última campanha para governador. A decisão de industrializar o Estado já era uma prioridade. Mas a partir da Lei Kandir ela virou uma prioridade dramática, diz.
A Lei Kandir desonerou a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) nas exportações de grãos. Com isso, o Paraná, até então um Estado essencialmente agrícola, perdeu uma de suas principais fontes de receita: o ICMS gerado principalmente pela exportação de café e soja. O Paraná é o maior produtor e exportador brasileiro do complexo soja (grão, óleo e farelo).
Segundo estimativas do secretário, foi uma decisão acertada. A partir de 2002, quando estiver em plena produção, apenas a Renault, instalada em São José dos Pinhais, vai gerar R$ 120 milhões em ICMS por ano. É cerca de 70% do imposto gerado por uma safra inteira de soja. Além da Renault, o Estado já tem confirmada a instalação de outras cinco empresas do setor automotivo, além de suas fornecedoras.
Outras duas estão em processo de negociação. A expectativa do governo é assinar até outubro os protocolos de intenção com a japonesa Suzuki e a polonesa Ursus. O valor dos investimentos ainda não foi anunciado.
Ao contrário das montadoras já anunciadas, todas com sede na Região Metropolitana de Curitiba, o destino tanto da Suzuki quanto da Ursus deve ser o interior. O governador Jaime Lerner negocia para levar a montadora japonesa para Londrina. A Ursus pode ir para Maringá.
Sobre as críticas da oposição à política de incentivos do atual governo, o secretário de Planejamento lembra que os instrumentos que permitiram a atração das indústrias são anteriores à administração Lerner. O FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico) foi criado no governo Ney Braga. Já a Lei Anibal Khury é de 1992.
Em outros governos, diz Salomão, o que se fazia era captar dinheiro a juros de mercado e emprestar às empresas, via FDE, a juros subsidiados. O Estado financiava a diferença. Hoje, a política é incentivar o desenvolvimento repassando às empresas uma parte dos impostos que elas próprias vão gerar. É o que eu chamo de fomento responsável, resume o secretário.





