Industrialização no PR está bem distribuída, afirma economista
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sexta-feira, 10 de outubro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Josoé de CarvalhoRecursos humanosGilmar Lourenço, técnico do Ipardes, diz que Estado precisa investir na qualificação da sua mão-de-obraO Paraná atravessa hoje um rápido processo de transformação na sua economia que absorve investimentos de grande porte. Mas esses investimentos não estão concentrados na Região Metropolitana de Curitiba, ao contrário do que se divulga aos quatro cantos do Estado. A análise é do economista e técnico do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), vinculado à Secretaria do Estado de Planejamento, Gilmar Lourenço. Ele esteve ontem em Londrina participando da Semana de Economia da Universidade Estadual de Londrina.
Lourenço afirma que o crescimento da economia paranaense nos próximos anos passa por três eixos: o do setor metalmecânico, o da agroindústria e o de obras de infra-estrutura. Segundo ele, a concentração dos investimentos da indústria metalmecânica na Região Metropolitana de Curitiba é inevitável e segue a lógica das grandes empresas. As empresas estão atrás de infra-estrutura; localização geográfica estratégica, com relação ao eixo rodoferroviária; proximidade do porto; mão-de-obra qualificada; centros de excelência em ciência e tecnologia. Essas características se encontram hoje na região de Curitiba, diz.
De acordo com Lourenço, existe uma grande carteira de projetos agroindustriais no Estado, liderada pelo setor cooperativo, que vai se direcionar para o interior. Ele afirma que as cooperativas têm programação para os próximos anos de investir US$ 500 milhões. Se considerarmos alguns grupos privados de agroindústria, esses investimentos ultrapassam US$ 1 bilhão.
Lourenço cita que ontem foi inaugurado o complexo frigorífico de Palotina (oeste) com investimentos da Coopervale (do Vale do Piquiri) de US$ 65 milhões, que vai gerar 5 mil empregos diretos e indiretos. Em Cascavel, a cooperativa local está investindo US$ 32 milhões em abate de aves e suínos. Nesse mesmo segmento o grupo da Granja, em União da Vitória, está investindo US$ 107 mihões. As obras de infra-estrutura também vão beneficiar o interior, como a Ferrooeste e a construção do anel de integração rodoviário.
Na análise do economista, Londrina tem grandes chances de dar um salto na industrialização à medida em que existe a estabilidade econômica no País e está perto do mercado do interior de São Paulo. Mas Londrina precisa superar algumas limitações, segundo Lourenço. A primeira é a distância do porto. O porto seco não vai resolver isso, diz. O que vai contribuir, na opinião dele, é a duplicação do trecho Londrina-Ponta Grossa e a privatização da Rede Ferroviária Federal. A outra limitação - aponta - é a falta de cursos de qualificação de mão-de-obra.


