Produtores de uva da região Norte do Paraná passarão a contar com um novo mercado a partir de 2005, quando a Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol) iniciará o esmagamento da fruta para produção de suco. A iniciativa aumentou em 500 hectares a área ocupada pela cultura, o que corresponde a um crescimento de mais de 10% no Estado. As lavouras foram especialmente implantadas para atender às necessidades da cooperativa.
O engenheiro agrônomo Élcio Rampazzo, implementador de frutas da Emater, afirmou que a ampliação da área com uva, no Paraná, só é viável por causa da agroindústria. Segundo ele, o frio intenso em 2000 e 2001 prejudicou as lavouras e diminuiu a produtividade de 18 mil quilos por hectare para 12 mil quilos por ha.
Além disso, o aumento de área em outros estados derrubou os preços da fruta para consumo in natura. A alta do dólar, por outro lado, aumentou os custos, acentuando a crise enfrentada pelos agricultores. ''Se não tivesse a garantia de compra da Corol, não recomendaria o investimento'', disse.
A cooperativa vai investir aproximadamente R$ 2 milhões na adaptação do setor de recebimento e de extração das frutas. O restante dos equipamentos serão os mesmos utilizados no esmagamento da laranja. A industrialização da uva acontecerá durante a entressafra dos cítricos, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. O empreendimento vai gerar 200 empregos diretos para manutenção dos equipamentos, 30 novos postos de trabalho na fábrica e 220 empregos durante os dois meses de colheita.
Na lavoura, o custo de implantação de cada hectare é de R$ 8 mil. ''Não é alternativa para produtores descapitalizados'', considerou. Após iniciar a produção, o rendimento bruto estimado é de R$ 7,5 mil por ha, com custo de produção de 50% sobre esse valor. Como a indústria utiliza uva rústica, o custo de produção é 30% menor que o da fruta de mesa.
Inicialmente, são 200 produtores de 33 municípios que estão envolvidos no projeto da Corol, que tem apoio da Emater e do Programa Paraná 12 Meses (que financiou o plantio para 60 pequenos produtores). A cooperativa informou que quando começar a primeira colheita, o associado receberá um valor para cobrir o custo de produção. Depois da uva industrializada e comercializada, uma parte do valor de venda do suco será repassado ao agricultores.
Produtor de grãos em seis hectares em Rolândia, Humberto Lonardoni decidiu destinar um hectare da propriedade para produzir uva. Animado, está preparando mudas para cultivar mais meio hectare. Segundo ele, a área reduzida dificulta a produção de grãos por causa da dificuldade em viabilizar máquinas. ''O pequeno produtor tem que diversificar'', opinou ele, que vai produzir frutas pela primeira vez.
Lonardoni recebeu R$ 6 mil em equipamentos e insumos, a fundo perdido, do Paraná 12 Meses. Investiu mais R$ 2 mil na implantação do pomar. Quando começar a produzir, pretende entregar as frutas no mês de dezembro, na entressafra da soja e do milho. ''Será um dinheiro fora de época que vai garantir um Natal melhor'', espera.

mockup