Indústria vendeu 7,26% mais em agosto
Agência Estado
De Brasília
As vendas da indústria brasileira tiveram um aumento de 7,26% em agosto, recuperando-se da queda de 1,38% ocorrida em julho. Estes dados foram divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), e indicam ainda que pelo terceiro mês consecutivo o nível de emprego teve um pequeno aumento. A CNI constatou que as vendas do setor foram 3,06% maiores em relação às verificadas no mesmo mês do ano passado, o que indica recuperação do nível de produção anterior à moratória russa de agosto de 1998.
Nossa avaliação é positiva e os dados mostram que estamos em uma boa direção, afirmou o presidente da CNI, deputado Carlos Eduardo Moreira Ferreira (PFL-SP). A retomada da recuperação, alertou Ferreira, deve ser encarada com cautela, ainda que aponte para uma reversão na queda da atividade industrial. Não estamos em um boom de crescimento, a recuperação é moderada e ainda temos dificuldades para que haja plena recuperação das vendas, disse.
Com o desconto do ajuste sazonal próprio do mês de agosto, que inclui, por exemplo, o incremento da produção no início do segundo semestre com vistas ao fim de ano e o fato de o mês ter 31 dias sem feriados, o crescimento real das vendas foi de 3,4%. Este aumento em agosto compensa a queda de 3,1% verificada em julho. Segundo a CNI, este indicador é o mais elevado desde outubro de 1997, quando foi deflagrada a crise asiática.
No acumulado do ano, porém, o faturamento da indústria ainda apresenta uma queda de 2%. O mercado de trabalho industrial também não aponta para uma melhora significativa, mas demonstrou que se mantém estável. O indicador de emprego em agosto aumentou 0,28%, a terceira alta mensal consecutiva. Em junho foi de 0,11% e em julho de 0,18%. Em relação a agosto do ano passado, porém, houve uma queda de 6,08% no nível de emprego e o acumulado do ano também é negativo, chegando a 6,81%.
Ainda não conseguimos recuperar como gostaríamos o nível de emprego, disse Moreira Ferreira. Outros indicadores positivos do mês foram as horas trabalhadas na indústria que tiveram um crescimento de 0,85% em relação a julho e a utilização da capacidade instalada que também teve um aumento de 0,6 ponto percentual sobre o mês anterior. A massa salarial em agosto teve também uma queda de 0,33%, com redução do salário em sete dos 12 Estados.
A perspectiva para o final do ano, segundo o presidente da CNI, é positiva desde que permaneça o ambiente de queda de juros. Os indicadores de setembro, segundo ele, devem se manter estáveis, mas no último trimestre a atividade industrial poderá se equiparar aos resultados de antes da crise asiática de 1997.
As medidas econômicas anunciadas na semana passada, que impedem o desconto do aumento da Cofins na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), poderão ter efeito negativo no final do ano. A medida trará perda de competitividade e aumento de custos para a empresa, disse Moreira Ferreira. Como elas passam a vigorar a partir de fevereiro, terão reflexos nas decisões de investimentos dos empresários.Setor recuperou-se da queda de 1,38% registrada em julho e superou marca do mesmo período do ano passado, segundo a CNI
Arquivo FolhaSEM EUFORIAMoreira Ferreira, presidente da CNI, diz que reação deve ser encarada com cautela, ainda que aponte para uma reversão na queda da atividade industrial: Não estamos em um boom de crescimento e ainda temos dificuldades





