Indústria vende mais e emprega menos
Indústria vende mais e emprega menos
Negócios em março foram 8,42% superiores aos do mês anterior, mas as vagas de trabalho encolheram 2,21%%
Luis Lomba
Arquivo Folha
Carro-chefeSegmento têxtil foi o que abriu maior número de empregos no mês passado: 15,52% sobre março de 1997As vendas da indústria paranaense aumentaram na média 8,42% em março em relação a fevereiro. Na mesma comparação, o número de postos de trabalho na produção caiu 2,21%. Em relação a março de 1997, a queda no número de vagas foi de 7,07%. O aumento no faturamento foi puxado pelas vendas para outros Estados, que aumentaram 9,15% - as vendas para o exterior cresceram 6,80% e as vendas dentro do Paraná se expandiram 5,79%. A massa salarial líquida em março teve queda real de 3,35% em relação a fevereiro. No primeiro trimestre, o desempenho do faturamento foi 0,97% menor que no mesmo período do ano anterior.
A produção industrial paranaense atingiu em março o índice de 143,3682 (43% mais que a média de 1992, que é a base 100 estipulada pela Federação das Indústrias do Paraná), mas o número de empregos chegou apenas ao índice 104,8351, um aumento de menos de 5% em relação a 1992.
Os segmentos que mais se destacaram em março foram perfumaria, sabões e velas (+43,92%), material de transportes (38,16%) e vestuário, calçados e artefatos de tecidos (+30,38%). No acumulado janeiro a março o primeiro segmento soma vendas 64,80% maiores que no mesmo período do ano passado. Na questão do emprego, o número de vagas aumentou mais nos segmentos têxtil (15,52%), produtos farmacêuticos (3,44%) e químico (2,17%).
A lista dos piores desempenhos em março é liderada pelos segmentos de bebidas (-11,43%) e química (-4,40%). Entre janeiro e março deste ano, o segmento de material de transportes acumula queda de 17,88% em relação ao primeiro trimestre de 1997. O segmento de couro, peles e similares liderou a queda no número de empregos oferecidos (-9,98%), seguido de perfumaria, sabões e velas (-4,34%) e editorial e gráfico (-2,03%).
Na análise dos números da pesquisa, a Fiep destaca que apesar do aumento de 8,42% nas vendas em março em relação a fevereiro (43,37% mais que em março de 1992), o desempenho da indústria perdeu para março de 1997 (45,82% mais que em 1992) e março de 1995 (55,94% mais que em 1992). O texto diz que em março a economia ainda estava assimilando os efeitos da alta de juros determinada pelo governo em outubro para fazer frente à crise nos mercados financeiros da Ásia.
A Fiep atribui a perda de dinamismo dos negócios privados ao deslocamento de recursos da área produtiva para financiar as inesgotáveis necessidades orçamentárias das três esferas de poder. E aponta: Mês a mês a sociedade é informada do aumento da arrecadação tributária, que tem como contraface o freio que se impôs à atividade econômica, maior encargo na planilha de custos das empresas e nos orçamentos individuais ou familiares e menos renda para poupar e investir.
O texto destaca ainda que segmentos como gêneros alimentícios, químico; papel e papelão; material elétrico e de comunicações conseguiram recompor seus níveis de venda redirecionando sua produção para o mercado externo, agregando mais valor antes da exportação.





