-O crédito que o governo, através do BNDES, cerca de R$ 400 milhões, realmente mexe com o mercado, como diz a manchete da página. Mas é um reflexo especulativo, efêmero. Como instrumento de sustentação de preços é inconistente. Melhor seria se os recursos fossem injetados na ponta da produção. Isto vai acontecer indiretamente já que o crédito pode ser utilizado na aquisição de Cédula do Produto Rural (CPR), como o banco esclereceu ontem. A CPR tem essa caracterização. Dispensa o avali do produtor.
-No Paraná, ao todo, cerca de 60 indústrias de descaroçamento podem se habilitar ao crédito que prioriza a indústria de fiação e têxtil,isto contando Norte Pioneiro, Norte, Noroeste e parte do Oeste (muito pouco). Mas, a julgar pela avaliação de agricultores que participaram esta semana do Show Rural, não há tanto entusiasmo como todos nós queremos acreditar que haja.
-Outro problema são as desinformações e as muitas dúvidas sobre a distribuição dos recursos. Ontem, o BNDES esclareceu que o crédito poderá ser utilizado para o financiamento de todas as compras para a entrega futura de algodão, em contratos da BM&F ou CPR, realizados até 31 de dezembro de 1998. Isso significa que a indústria pode contrair o crédito, por exemplo, em janeiro do próximo ano para o financiamento de compra realizada em dezembro deste ano. Segundo a Agência Estado, ontem, também está aberta a possibilidade da indústria pedir os recursos para financiar compras realizadas antes do lançamento da nova linha de crédito. Neste caso a operação não pode ter sido ainda liquidada com a entrega da mercadoria.
-Da forma como o BNDES esclareceu ontem, uma indústria que tenha adquirido no ano passado uma CPR ou fechado um contrato na bolsa para a entrega do algodão em maio próximo poderá receber o crédito do BNDES para financiar esta operação, desde que o contrato (compra e venda) não tenha sido liquidado. O BNDES está liberando para esta nova linha de crédito R$ 400 milhões. Os financiamentos terão prazo de dez meses, com quitação em parcela única no final do período. O empréstimo terá correção pela Taxa de Juro de Longo Prazo mais um juro de 5% ao ano.
-A indústria têxtil poderá contrarir o crédito diretamento no BNDES ou por intermédio das instutuições financeiras credenciadas. No caso do BNDES, nenhuma taxa (spread) de risco será cobrada. No caso de uma operação realizada por intermédio de um outro agente financeiro, a expectativa é que seja cobrada uma taxa de risco de pelo menos 2,5% ao ano. Fontes do Banco do Brasil avaliam que as indústrias terão interesse de fazer o contrato diretamente com o BNDES, porque o custo é mais baixo (não é cobrada a taxa de risco). As operações de emprésstimo com valor superior a US$ 7 milhões podem ser feitas diretamente junto às instituições, e as com valor inferior são realizadas por intermédio de um banco ou cooperativa.Recoop
O Diário Oficial pública na próxima terça-feira a portaria que fixa as exigências para o enquadramento de cooperativas no Programa de Revitalização (Recoop). Portaria ainda orienta redação das ‘‘cartas-consultas’’.
Recoop 2
As regras foram definidas ontem pelo Comitê do Programa de Revitalização. O Recoop vai oferecer ajuda às cooperativas em dificuldades financeiras, após um detalhado exame de viabilidade.
Prazo
A consulta se encerra dia 31 de março, quando as ‘‘cartas-consultas’’ devem chegar ao Comitê. Após triagens (estadual e nacional) na OCB, a cooperativa ‘‘aprovada’’ deve apresentar projeto de viabilidade financeira.
Quem passa?
O Comitê Executivo estima que cerca 393 cooperativas deverão solicitar o enquadramento no programa, que conta com recursos da ordem de R$ 2,5 bilhões. Mas só 15% passam pelas triagens do Comitê, na OCB.
Indústria/café
O déficit de café no mercado interno deve chegar a 3,4 milhões de sacas
até a entrada nova safra, prevê o Sindicato da Indústria. Falta deve ser coberta por leilões do governo, que tem 11,5 milhões de sacas em estoque.

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