Arquivo FolhaMedida temporáriaValentino: ‘‘O governo não tem interesse em provocar crise e recessão’’ As montadoras decidiram manter a produção recorde prevista para este ano, de 2,1 milhões de veículos, pois acreditam que o aumento das taxas de juros para os financiamentos é momentâneo e não deverá prejudicar as vendas do setor. Até outubro já deixaram as linhas de montagem 1.806.961 unidades, o mesmo número registrado em todo o ano passado.
Na opinião do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Silvano Valentino, o aperto ao crédito não deve durar muito, pois o governo ‘‘não tem interesse em provocar crise e recessão’’. As vendas a prazo são responsáveis por 60% dos negócios do setor. Valentino defende as medidas anunciadas pelo governo na semana passada, que resultaram em alta significativa dos juros. Para ele, não havia outra alternativa.
Enquanto as montadoras prometem manter a produção, prevista em 181,7 mil veículos neste mês e 146,5 mil em dezembro, os revendedores temem o aumento dos estoques e estão pedindo a redução da produção. Ao contrário de Valentino, o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze, acredita em forte retração nas vendas.
Reze reivindica das montadoras a adoção do sistema de venda por consignação para ‘‘repartir os sacrifícios provocados pelo novo cenário econômico’’. Valentino, no entanto, afirmou ontem que os revendedores são criativos e deverão apresentar propostas de vendas à vista e financiadas para manter os negócios.
Várias concessionárias paulistanas manterão novamente neste fim-de-semana plantões especiais usando como atrativo o financiamento com os juros atuais que estão sendo mantidos pelos bancos das montadoras.
Os estoques de carros já estavam altos antes mesmo da crise provocada pela queda das bolsas de valores em vários países. No final de outubro 122.607 veículos estavam parados nas lojas, volume suficiente para 20 dias de vendas.
Valentino insistiu ontem que ainda é cedo para fazer previsões sobre o que deve ocorrer nos próximos meses, caso os juros altos sejam mantidos. ‘‘Não devemos trabalhar com hipóteses pois, do contrário, não levantaríamos da cama todos os dias’’, diz.
O setor automobilístico bateu novos recordes no mês passado com a produção de 209.089 veículos e vendas de 189.019 entre carros nacionais e importados. A participação dos chamados carros populares atingiu 69,2%, a maior registrada até agora.De janeiro a outubro foram vendidos 1.717.330 veículos, 20% mais em relação ao mesmo período do ano passado. Foram exportados em outubro 38.456 veículos, totalizando no ano 323.320 unidades enviadas ao exterior, volume 30% maior do que em 96. Em valores, as exportações somam até agora US$ 3,68 bilhões.

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