São Paulo - A indústria brasileira está hoje num momento muito favorável. Os níveis de demanda e uso da capacidade instalada se equiparam aos alcançados no primeiro semestre de 1995, quando o ritmo de atividade começava um ciclo de crescimento desencadeado pela queda da inflação, logo após o início do Plano Real. O foco de preocupação, no entanto, é o gargalo na produção de bens intermediários, que tem segmentos trabalhando quase a plena carga, como celulose, papel e papelão (95%) e metalurgia (92,2%), que engloba a indústria siderúrgica.
Essas são conclusões apontadas pela 152 Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A enquete, de natureza qualitativa, consultou 945 indústrias entre os dias 25 de junho e 23 deste mês. Juntas elas faturam perto R$ 360 bilhões por ano e empregam 971 mil pessoas. ''O nível em que a indústria está operando já começa a chamar por investimentos'', afirma o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo.
A sondagem mostra que o nível médio de uso da capacidade instalada da indústria está neste mês em 84,5%, o maior nível para o mês de julho desde 1980, quando atingiu 85%. Na comparação com o segundo trimestre, houve um aumento de 2,3 pontos porcentuais na média da indústria sem ajuste sazonal.
Do segundo para o terceiro trimestre, houve um salto no uso da capacidade dos bens de capital (de 79,1% para 81,9%) e nos bens de consumo (de 75,7% para 80,4%). Nos bens intermediários houve um recuo de 87,2% para 86,9% no mesmo período, mas ainda assim é o setor que trabalha com nível de uso da capacidade mais elevado.
Para este trimestre, 57% das indústrias acreditam no aumento das encomendas e só 9% apostam na redução. ''A situação é semelhante ao início do Plano Real'', diz Campelo. A novidade agora é que há otimismo também com relação ao crescimento da demanda interna.
A perspectiva favorável de contratações confirma a continuidade da crescimento. Mais de um terço das empresas (35%) pretendem contratar neste trimestre e só 8% pensam em demitir. Entre os segmentos que mais querem contratar estão a indústria mecânica, material de transporte, química, vestuário e calçados.

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