Indústria trabalha em ritmo acelerado
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domingo, 25 de janeiro de 2004
Marcelo Rehder<br> Agência Estado 
São Paulo - A indústria brasileira está trabalhando neste mês de janeiro num ritmo que não se via há anos. Nos mais diferentes setores, de calçados a eletroeletrônicos, as fábricas chegam a produzir até 35% a mais do que no mesmo mês do ano passado para atender às encomendas do varejo e aos contratos de exportação. No setor de embalagens, que é considerado um termômetro da atividade econômica, a carteira das empresas está cheia de pedidos. Na Orsa, uma das maiores fabricantes de papelão ondulado no País, as encomendas já superam em 7% as ordens de compra de janeiro de 2003.
Na semana passada, o governo decidiu interromper a queda da taxa de juros, mantendo a Selic em 16,5% ao ano, ante uma expectativa de corte de pelo menos 0,5 ponto porcentual. Com a medida, vista por parte do mercado como uma parada técnica, o governo buscou esfriar o ânimo dos empresários, que chegaram a anunciar aumentos de até 18% nos preços. A decisão soou como um sinal de alerta para o setor produtivo, que vê na manutenção da taxa um fator negativo para a expansão dos negócios.
Apesar disso, a confiança na retomada das vendas ainda se mantém. ''Tivemos de encurtar o período de férias coletivas para atender às encomendas'', diz Sergio Amoroso, presidente do Grupo Orsa. ''Os negócios estão firmes principalmente para os fabricantes de produtos eletroeletrônicos e para os setores que exportam.''
A Semp Toshiba, que responde por cerca de 25% das vendas de televisores no País, reforçou a produção em 10% em relação a janeiro do ano passado. Ao contrário do que ocorreu em 2003, a empresa iniciou o ano otimista, prevendo que o mercado vá crescer entre 5% e 10% no período. Tanto é que decidiu investir este ano cerca de R$ 25 milhões para ingressar nos mercados de condicionadores de ar e monitores para computador.
''Todos os industriais estão cansados de se sentirem deprimidos. Há uma necessidade, uma vontade de sermos otimistas. Todos os indicadores oficiais justificam essa atitude'', diz o presidente do Grupo Semp Toshiba, Afonso Antonio Hennel, ressalvando que o consumidor só compra quando tem segurança em relação ao emprego.
Algumas empresas tiveram necessidade de contratar, ante a demanda inesperada. É o caso da Tecnomecânica Pries, fornecedora de componentes para todas as marcas de fogões do País e também para eletroeletrônicos. As vendas subiram 35% em relação a janeiro do ano passado, e isso levou a Pries a contratar 30 pessoas, elevando para 300 o número de funcionários. ''Este está sendo o melhor janeiro dos últimos quatro anos'', comemora o dono da empresa, Gunther Pries.


