A indústria paranaense de massas e biscoitos Todeschini entrou ontem com um pedido de concordata na 3ª Vara da Fazenda Pública. A empresa está com uma dívida de cerca de R$ 10 milhões e quer um fôlego para pagar os credores. A juíza Anny Mary Kuss Serrano recebeu o processo e o encaminhou para o Ministério Público, para que seja dado parecer. A decisão deve sair na próxima semana.
Terceira maior fabricante de massas do País e a maior da região Sul, a Todeschini acumulou dívidas junto aos bancos após ter feito um investimento de R$ 22 milhões para comprar novos maquinários. O advogado da empresa, Johnson Sade, disse que os pagamentos das máquinas e das obras de ampliação do parque fabril seriam feitos com o dinheiro obtido com o excedente da produção. Mas houve um atraso de um ano e meio na entrega dos equipamentos.
Assim, a Todeschini recorreu a financiamentos bancários. Os juros variaram de 5% a 10% ao mês, fazendo com que a empresa passasse a trabalhar para pagar dívida. Os resultados começaram a ser negativos todos os meses. Apesar do faturamento mensal de R$ 5 milhões, a empresa passou a ter um défict mensal em torno de R$ 700 mil a R$ 800 mil.
Criada em 1885, a Todeschini é uma das últimas empresas familiares do Estado. Nos últimos dois anos passou a enfrentar a concorrência das massas italianas e bolachas e biscoitos da Europa e Argentina. Mas o advogado Johnson Sade garante que a empresa não enfrenta problemas nas vendas. ‘‘Toda a produção está vendida e a fábrica não absorve mais pedidos’’. Desde julho, quando o maquinário foi finalmente instalado, dobrou sua capacidade de produção.
Sade acredita que a empresa conseguirá se recuperar em um ano. Assim que for saneada, a Todeschini estuda a sociedade com outras empresas, não descartando a hipótese de abrir mão do controle acionário.
Graciosa sai Na linha contrária da Todeschini, o Moinho Graciosa consegue sair da concordata com nove dias de antecedência. A empresa depositou ontem a segunda e última parcela da concordata requerida em 23 de agosto de 95. O Moinho Graciosa tinha uma dívida de R$ 10,2 milhões contra um ativo de R$ 18 milhões.
Desde o início do processo, a empresa operou com normalidade junto a seus fornecedores. Com os bancos, foi sendo feito um programa progressivo de restabelecimento de crédito. O diretor-presidente do grupo, Fred Roberto Chao, disse que o grande problema era conseguir administrar as altas taxas de juros que incidiam sobre a dívida, mas com a concordata o percentual cobrado como juro passou a ser suportável.
Mesmo estando em concordata, o moinho paranaense teve um faturamento de US$ 30 milhões no ano passado. Os números foram 30% superiores ao registrado em 95, quando o faturamento foi de US$ 22 milhões.

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