Indústria têxtil quer aproveitar bom momento da moda brasileira
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de fevereiro de 2001
Karla Matida De Londrina 
Considerado o maior evento de moda do Brasil, o São Paulo Fashion Week encerrou uma semana de desfiles consolidando o objetivo de estar entre os principais lançadores do mundo, ao lado das semanas de moda de Nova York, Milão, Paris e Londres. E por isso mesmo, a palavra de ordem hoje é união da cadeia têxtil. O apoio da Associação Brasileira de Indústria Têxtil Abit e o patrocínio das maiores tecelagens do País é o sinal de que a coisa é séria e vai muito além das passarelas e do burburinho fashion.
Os números do setor têxtil na virada do milênio apontam para a renovação e o crescimento. Nos últimos nove anos foram investidos cerca de US$ 8 bilhões e outros US$ 12,3 bilhões serão destinados ao setor nos próximos oito anos. O retorno deverá vir do aumento das exportações, e a meta é chegar aos US$ 4,3 bilhões por ano até 2005, o que levará o País a participar de 1% da fatia do comércio mundial de têxteis. No ano passado, as exportações somaram US$ 1,2 bilhão, um crescimento de 22% sobre 99.
Presidida pelo industrial Paulo Antonio Skaf, a Abit é representante da cadeia produtiva têxtil do País, composta por mais de 30 mil empresas. No ano passado, o faturamento girou em torno de US$ 22 bilhões. O objetivo para este ano é chegar aos US$ 23 bilhões. De janeiro a novembro de 2000, a indústria têxtil criou mais de 52 mil empregos, representando 25% do total de vagas na indústria de transformação.
O efeito Gisele Bundchen reflete o bom momento da moda brasileira no exterior, chamado de Brazilian Moment. Estilistas nacionais também vêm fazendo desfiles elogiados em Nova York, Paris e Londres. Tanto é que além de jornalistas de todo o mundo, também estiveram presentes aos desfiles paulistanos um grupo de compradores de lojas importantes no cenário mundial como Saks e Henri Bendel, dos EUA.
Outra prioridade do setor é a auto-suficiência do algodão, matéria-prima do setor. Em 2000 foram produzidas 700 mil toneladas. Este ano o número deve bater as 800 mil t, que equivale ao consumo nacional.


