Indústria têxtil defende importação de algodão
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quinta-feira, 16 de maio de 2002
Gecy Belmonte Agência Estado 
Brasília - O vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Oscar Rache Ferreira, disse ontem, na audiência pública na Câmara dos Deputados, que a indústria é contra o pedido de direito compensatório e anti-dumping que os produtores de algodão estão pretendendo, para compensar a concorrência desleal dos Estados Unidos. Segundo ele, se estas medidas forem tomadas pontualmente a resposta será uma retaliação que atingirá a indústria têxtil brasileira, que neste momento começará a renegociar as quotas de exportação para o Estados Unidos.
Segundo ele, a indústria têxtil fez um investimento de US$ 8 bilhões nos últimos anos e conseguiu avançar nas exportações. No ano passado, foram exportados US$ 1,4 bilhão, contra US$ 1,2 bilhão no ano anterior, basicamente para os Estados Unidos. A medida vai prejudicar as exportações de tecidos e confecções para os Estados Unidos. Ele disse que o preço pago pela indústria brasileira na compra do algodão não é barato. As fábricas pagam entre US$ 0,35 a US$ 0,36 por libra peso, mesmo valor pago pelas indústrias de outros países na aquisição da matéria-prima.
Se a medida for tomada, os preços do algodão no mercado interno vão subir e as exportações da indústria se tornarão inviáveis. Ele alertou que não há sustenção legal para uma ação anti-dumping, porque o algodão importado não chega mais barato que o produto nacional e que as importações dos Estados Unidos são incipientes.
Dados apresentados pelo coordenador de Política Agrícola da Sece cretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Eduardo Leão, mostram que as importações corresponderam a 10% do total de algodão consumido pela indústria brasileira e deste volume apenas 0,4% foi dos Estados Unidos.
Isto evidencia que não há o que se chama de dano causal exigido neste tipo de processo, disse o vice-presidente da Abit. A saída que a indústria apóia é que o Brasil e outros países que enfrentam o mesmo problema recorram junto à Organização Mundial de Comércio contra a política de subsídios dos Estados Unidos para o algodão.


