São Paulo - Ao contrário do que possa parecer, o Brasil compra poucos produtos têxteis e vestuário da China. Dos cerca de US$ 300 bilhões dessas mercadorias que saem do país asiático ao ano, somente US$ 4 bilhões vêm para o mercado brasileiro. E os chineses não estão satisfeitos com esta proporção. Querem aumentar as exportações para o País em 10% ao ano. As informações foram repassadas pelo presidente da Câmara do Comércio de Importação e Exportação Têxtil e de Vestuário da China (CCCT), Jiang Hui, durante palestra ontem na segunda edição da GO TEX Show, no Expo Center Norte, em São Paulo.
A China é a maior exportadora de produtos têxteis e vestuários do mundo, respondendo por 37% de tudo que é movimentado neste setor. De janeiro a agosto deste ano, União Europeia ficou com 20% das exportações chinesas; os Estados Unidos levaram 15%; os demais países asiáticos foram responsáveis por 12%; e o Japão, por 8%. "Os índices deste ano não foram tão bons. Acredito que vão melhorar a curto prazo", afirmou o chinês.
Ele disse que é "preciso mudar ideias e buscar cooperação" entre China e Brasil. E que não há motivo para o industrial brasileiro temer a invasão dos produtos asiáticos . "Quando entramos na OMC (Organização Mundial do Comércio) em 2001, a China também temeu que o mercado seria invadido pela indústria estrangeira, principalmente os setores automobilístico e cultural", declarou. Parte dos empresários e dos políticos, de acordo com ele, era contrária à abertura comercial. "Passados 13 anos, percebemos que nenhum setor recuou. Muito pelo contrário, entramos para o mercado internacional, competindo de igual para igual", afirmou.
Hui defendeu que Brasil e China devem construir um acordo comercial na área têxtil e de vestuário como existe entre China e Indonésia. "Nós entramos na Indonésia nos comprometendo a não exportar o mesmo tipo de produtos que era produzido lá. Entramos com outros, de maior valor agregado, que faltava no mercado deles", contou.
O chinês procurou mostrar que a China está aberta à indústria brasileira. Mas, segundo ele, não adianta o Brasil querer exportar produtos do mesmo tipo dos que são produzidos por eles. "Tem de ser uma competição diferenciada. O que eu faço você não faz", defendeu. Ele citou exemplos: "camisetas com assinatura de jogadores de futebol" e roupas em tecidos funcionais. "Somos muito fortes na produção, mas há muitas áreas em que não vamos bem."
Ele convidou os brasileiros a participarem das feiras internacionais realizadas na China. E ofereceu espaço gratuito nesses eventos, assim como colocou à disposição centros empresariais para exposição de produtos brasileiros, além de passarelas para desfile de moda. "Espero que no futuro próximo possamos ver nas ruas da China as marcas brasileiras de roupa", disse.

O repórter viajou a convite do evento

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