Arquivo FolhaA queda de 9% no número de horas empregadas pelos trabalhadores na produção industrial mostra ‘‘um sinal inequívoco’’, segundo técnico da CNI, de que a produtividade do setor vem aumentandoEm 1996, as indústrias venderam 6,27% mais do que no ano anterior. Embora expressivo, esse desempenho foi o pior resultado desde 1992. Nos anos anteriores, as taxas de expansão foram maiores, ficando na casa dos 9% em 1994 e 1995. Além disso, o crescimento das vendas foi o único resultado positivo do ano passado. Houve queda no número de pessoas empregadas, no número de horas utilizadas na produção e no salário médio real. Esses dados constam do levantamento sobre indicadores industriais feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado ontem.
O ajuste das indústrias à competição com importados explica parte do desempenho do ano passado, segundo o chefe do Departamento Econômico da CNI, José Guilherme dos Reis. Por isso, houve crescimento nas vendas, apesar da queda de 9% nas horas empregadas na produção. ‘‘É um sinal inequívoco de aumento da produtividade’’, disse.
É também a busca pela produtividade que explica a queda na taxa de emprego. No ano passado, a redução foi de 7,41%. O número de empregos vm sendo reduzido desde meados de 95, quando o governo restringiu o crédito e brecou o consumo. ‘‘Os dados mostram que o processo de ajuste está no fim’’, afirmou Reis.
As vendas tiveram um desempenho ruim considerando-se o ano. Mensalmente, estão em recuperação. Em janeiro, fevereiro e março de 96, ficaram bem abaixo do desempenho de 95. Daí em diante, porém, os índices ficaram todos acima dos de 95.
O mesmo comportamento mostram as taxas de desemprego. Embora em queda contínua desde maio de 95, as demissões estão diminuindo. Por outro lado, o salário real está crescendo em termos reais desde agosto.
Apesar da tendência de haver menos demissões, os analistas da CNI não apostam em crescimento da taxa de emprego neste ano, como chegou a calcular o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que projetou uma taxa de 2%. ‘‘No primeiro semestre, certamente, as taxas serão negativas’’, disse Reis.
Foram divulgados também os indicadores de dezembro, quando as vendas reais foram 11,27% menores do que as de novembro. Segundo a análise dos técnicos da CNI, uma queda entre novembro e dezembro é natural, refletindo as encomendas do comércio para as vendas de Natal, que são feitas antecipadamente. Mas, mesmo descontando esse fator sazonal, houve queda de 4,44% nas vendas. Para a CNI, esse recuo ocorreu pela acomodação do consumo, já que as vendas cresceram em setembro, outubro e novembro. As vendas fortes desses meses teriam esgotado a capacidade de endividamento das famílias.

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