O desempenho da indústria nacional em 1998 foi o pior dos últimos sete anos, desde que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) passou a medir o comportamento do setor. De acordo com o estudo ‘‘Indicadores Industriais’’ o emprego no setor caiu 5,91% em relação a 1997, as horas trabalhadas despencaram 7,51% e os salários baixaram 4,79%. O resultado negativo foi generalizado e pela primeira vez o item de maior destaque, relativo às vendas reais, registrou queda: -1,34%. Para o levantamento foram coletados dados em aproximadamente 3,7 mil grandes e médias empresas.
O balanço só não foi mais desfavorável por causa do expressivo aquecimento nas vendas em dezembro, apesar da crise. Escaldada pela crise asiática, de 1997, a indústria reduziu a produção a partir de setembro, logo depois da moratória russa, e foi surpreendida com as vendas do Natal. Em dezembro de 98, as vendas industriais registraram crescimento de 6,23% em relação a novembro. No ano anterior, o aumento havia sido de apenas 0,7%. Mas nem esta recuperação foi capaz de garantir o aumento do faturamento no ano passado.
O coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, José Guilherme Reis, acredita que a indústria passará ainda um primeiro semestre ‘‘muito duro’’. O setor poderá retomar o crescimento a partir do segundo semestre, mas isso dependerá muito da normalização do cenário econômico. Para garantir um resultado satisfatório seriam necessários três fatores básicos: a manutenção da inflação anual abaixo de 10%, taxas de juros chegando ao fim do ano entre 12% e 14% e a estabilização do câmbio entre R$ 1,60 e R$ 1,70 frente ao dólar. A crise poderá encolher alguns setores da indústria.

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