Arquivo FolhaAltos e baixosSetor têxtil foi dos poucos com variação positiva em agosto sobre julho, mas não se comparação for com 1996Os principais indicadores da produção industrial apresentaram queda no mês de agosto, segundo dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). As vendas foram 7,04% inferiores às de julho, o pior desempenho registrado desde abril de 1995. O dado mostra um comportamento atípico: normalmente no mês de agosto a indústria vende mais, por causa das encomendas do comércio para o Natal.
O mau desempenho das vendas industriais aparece também na redução de 2,33% no número de horas trabalhadas na produção. O único dado positivo levantado pela CNI em agosto foi o do pessoal empregado, que apresentou um crescimento de 0,12% com relação a julho. De acordo com a análise da CNI, os números de agosto apontam para um desaquecimento do consumo em determinados setores, como o elétrico e o eletrônico.
‘‘Os números foram amplamente negativos’’, comentou o presidente da CNI, Fernando Bezerra. ‘‘Todas as variáveis, exceto o emprego, apresentaram queda com relação a julho.’’ Mas ele descarta a possibilidade de a economia estar caminhando para a recessão. ‘‘Não se pode falar em recessão, porque o crescimento das vendas neste ano, até agosto, foi de 9,12%’’, observou. A queda nas vendas pode ter ocorrido, segundo ele, porque o comércio, preocupado com o mau desempenho dos últimos meses, adiou as compras de Natal.
Bezerra acredita que os números de agosto reflitam uma tendência, já detectada nos meses anteriores, de mudança no perfil de consumo da economia brasileira. As vendas nos setores elétrico e eletrônico, que cresceram bastante no início do ano, perderam o fôlego. ‘‘Esse setor terá um Natal pior do que o que se imaginava no primeiro semestre’’, admitiu o presidente da CNI. ‘‘Não dava para continuar crescendo no mesmo ritmo.’’
Por outro lado, setores fabricantes de máquinas e insumos básicos, como aço e produtos químicos, além da construção, apresentaram crescimento. ‘‘Reflexo dos investimentos em infra-estrutura’’, observou.
É por essa razão, aliada ao bom desempenho da indústria nos primeiros meses do ano, que as projeções da CNI para o ano de 1997 são otimistas. Os economistas da entidade estimam que as vendas apresentarão um crescimento real de 8% a 9% com relação ao ano de 96, quando o crescimento foi de 5,9%. A utilização da capacidade industrial deverá ser ligeiramente superior: 79% em 97, contra 78,2% em 96.
Também os salários dos operários deverão continuar crescendo. É estimado um aumento real de 6%, o mesmo percentual atingido em 96, ainda que o número de horas trabalhadas seja 3,5% menor do que o do ano passado. Isso só ocorre porque o desemprego na indústria crescerá 3,5% neste ano.

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