Indústria terá lucro recorde em 2001
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de dezembro de 2001
Agência Estado<bR>De São Paulo 
O coordenador de Análises Setoriais da Serasa, Marcos Augusto de Abreu, afirmou ontem que os ataques terroristas nos EUA, ocorridos no dia 11 de setembro, não devem interferir nos indicadores de lucro do setor industrial brasileiro no terceiro trimestre de 2001, confirmando este ano como um dos melhores desde o início da década de 90. De acordo com estudo da Serasa, as indústrias tiveram lucro recorde em 2001, pelo segundo ano consecutivo. Foi o maior lucro dos últimos dez anos.
''Os atentados não tiveram tanto impacto em nosso setor industrial como se imaginava. Além disso, os efeitos do racionamento de energia foram contornados pelas empresas''. A perspectiva otimista do coordenador leva em conta o aumento no número de encomendas do comércio no início de novembro e também um aquecimento no segmento de exportação.
A pesquisa, que considera dados anualizados do período entre janeiro e setembro deste ano sobre 2000, foi feita a partir dos balanços de companhias de vários segmentos e mostra que o faturamento geral registrou alta média de 3,6% no período. No mesmo período de 2000, o aumento de faturamento foi de 11,5%. A rentabilidade chegou a 9,4% das vendas, sobre 8,4% no ano anterior.
''Mesmo tendo sido um ano de revés, 2001 foi muito bom. No início, as previsões eram otimistas por causa do elevado crescimento já verificado em 2000. Depois, o setor desacelerou um pouco por causa da crise argentina e das incertezas em relação ao racionamento de energia. Por outro lado, a desvalorização cambial favoreceu extremamente a indústria exportadora'', disse.
Além do câmbio favorável às vendas externas, o mercado interno cresceu em razão da preferência do consumidor pelo produto nacional em detrimento aos importados. Abreu também menciona que parte dos resultados positivos verificados decorre dos vários ajustes operacionais promovidos pelo setor, cuja redução de custos foi fonte importante de economia de escala.
O coordenador não arrisca previsões para 2002. ''Precisamos aguardar o desfecho da situação da Argentina, que voltou a se agravar nesta semana, e, além disso, a eleição presidencial é um fator que deve influenciar a condução da política econômica'', salientou.
Segundo o estudo, as maiores vendas no período analisado foram dos setores de autopeças e alimentos, com aumentos de 7% e 11,8%, respectivamente. Este último deve registrar bons resultados nos últimos meses do ano, em razão das festas de Natal e réveillon.
O setor de alimentos, de acordo com a entidade, foi favorecido pela crise externa da carne bovina durante o ano. Outro setor que teve bons resultados foi o de Combustíveis, com aumento de 21% nas vendas. Siderurgia e Petroquímica tiveram seu desempenho comprometido, principalmente em razão da queda das cotações no mercado internacional.


