Curitiba - Os indicadores do desempenho industrial paranaense em 2003, mesmo com o aumento na produção (2,96%), emprego (4,2%) e exportação (26,25%), não consolidam um crescimento expressivo do setor. É que, por outro lado, as vendas reais, assim como a folha de pagamento dos funcionários e o consumo de energia, tiveram quedas significativas, de 12,15%, 6,74% e 4,57%, respectivamente.
Essa é avaliação do economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, que divulgou, ontem, o levantamento feito pelo órgão. Segundo ele, os resultados positivos foram conquistados pelos setores voltados à exportação, o que demonstra que o mercado interno foi afetado pela situação econômica do País.
A queda nas vendas reais é atribuída ao aumento nos custos de produção e à desvalorização do dólar. Já a redução na folha de pagamento média da indústria, apesar do aumento no emprego, segundo o Dieese, teve influência da retomada da inflação, o que ocasionou perda salarial; e da contratação ter se concentrado em segmentos com médias salariais menores como os setores de alimentos, madeira e mobiliário e têxtil.
As indústrias de alimentos foram as que mais abriram postos de trabalho em 2003 (4.745), onde os salários (R$ 604) são cerca de 13,54% menor do que a média salarial da indústria da transformação. Em segundo lugar, ficou o setor de madeira e mobiliário, com a abertura de 3.233 vagas e, em terceiro, a indústria têxtil. Os salários são 27,78% e 45,46% inferiores em relação à média.
Para Cordeiro, este ano, a indústria está seguindo a mesma tendência de 2003, com bom desempenho apenas nos setores que têm entrada no mercado externo. No entanto, ele acredita que, caso se confirme o crescimento da renda no decorrer do ano, poderá haver um maior equilíbrio entre a indústria voltada à exportação e a voltada ao mercado interno.

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