Indústria tem queda geral em fevereiro
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Agência Estado de Brasília 
Arquivo FolhaRetraçãoOferta de emprego caiu 0,39% e massa salarial despencou 2,88%O setor industrial teve desempenho negativo em fevereiro segundo todos os itens pesquisados mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). As vendas reais do setor caíram 4,82% em relação a janeiro, no pior resultado desse indicador desde que começou a ser apurado pela CNI, em 1992. Também houve queda no nível de emprego (0,39%), na massa salarial (2,88%) e nas horas trabalhadas na produção (4,07%).
Em consequência desse comportamento, a utilização da capacidade instalada reduziu-se de 77,9%, em janeiro, para 76,7% em fevereiro. O presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), observou que, apesar de fevereiro ser normalmente um mês de queda no nível da atividade, as variações negativas ficaram além do que seria normal nesse período. Segundo ele, isso mostra que a economia não está aquecida e não há necessidade de medidas de restrição ao consumo para manter a inflação sob controle. Em relação a fevereiro do ano passado, os indicadores da CNI mostram crescimento de 3,18% nas vendas e quedas nos demais itens: 3,86% no emprego, 6,27% nas horas trabalhadas e 2,09% nos salários líquidos.
Para o diretor do Departamento Econômico da CNI, José Guilherme dos Reis, esse quadro mostra uma acomodação do setor industrial depois do período de crescimento de 1996, que foi impulsionado pela expansão do crédito ao consumo. Essa hipótese é reforçada pela oscilação dos indicadores. Retirando do cálculo os fatores sazonais, as vendas reais da indústria caíram 2,35% em fevereiro, depois de ter apresentado um crescimento atípico de 3,87% em janeiro e uma queda inesperada de 4,4% em dezembro. Parece que o ciclo de expansão baseado no crédito ao consumo está esgotado, disse.
Se essa interpretação estiver correta, as famílias de renda mais baixa, principais beneficiárias do crédito farto oferecido no ano passado, teriam chegado ao seu limite de endividamento e estariam menos dispostas a aumentar suas compras neste ano. Reis destacou que os números ainda não permitem uma conclusão mais precisa sobre a tendência da produção industrial ao longo de 1997. Salientou, porém, que a previsão de uma safra maior neste ano deve ter repercussão favorável no desempenho da economia.


