Vendas de defensivos caíram em todo o País. No Paraná a redução foi menor, mesmo assim compromete o faturamento


Vânia Casado
De Curitiba

As indústrias de defensivos agrícolas acumulam prejuízo de quase R$ 300 milhões, com a queda nas vendas entre janeiro e outubro. O Sindicato da Indústria de Defensivos Agrícolas informa que o faturamento do setor caiu de US$ 2,05 bilhões, ano passado, para US$ 1,76 bi este ano. Principal causa da queda foi a redução nas vendas de herbicidas, que representam 55% a 60% do faturamento do setor.
As indústrias vinham trabalhando com uma expectativa de queda nas vendas em função da desvalorização cambial, que resultou na elevação dos preços dos produtos. De janeiro a setembro, os inseticidas tiveram uma alta de 49%, os fertilizantes de 45%. Esses reajustes provocaram uma alta de 24% no custo de produção dos principais produtos das lavouras de verão, calculou Flávio Turra, assessor econômico da Ocepar. Além da alta de preços, as vendas caíram ainda mais com a estiagem.
Só no mês de outubro, quando se esperava uma reação nas vendas de defensivos, com a intensificação do plantio, a queda foi de 2,7%. Com isso, as indústrias de produtos químicos estão contabilizando uma redução de 13,8% nas vendas. A previsão para o fechamento do mercado para 1999 é de uma queda na faixa de 12%, segundo o Sindicato da Indústria de Defensivos Agrícolas.
As indústrias de defensivos tentam reverter o prejuízo com a venda de herbicidas pós-emergentes. Isso porque no mês passado, a venda desse produto despencou 10,3%, acumulando um desempenho negativo de 21,3% nos primeiros 10 meses de 99, em relação ao ano passado. Conforme o Sindag, os produtores deixaram de investir na compra de herbicidas pré-emergentes, em função da estiagem, e agora as indústrias depositam suas esperanças na venda de herbicidas pós-emergentes.
Entre janeiro e outubro, a venda de herbicidas utilizados nas lavouras de soja, cana, milho e arroz caiu 21,3%. Os fungicidas utilizados nas lavouras de batata, tomate, hortigranjeiros, café e cereais de inverno tiveram uma redução de 7% nas vendas. A maior queda, de 23,2%, foi verificada na venda de acaricidas, utilizados nos pomares de citrus. Já o uso de inseticidas, utilizados nas lavouras de milho e algodão tiveram uma elevação de 1,8% nas vendas. Só no mês de outubro, os agricultores investiram 24,5% a mais nas compras de inseticidas, para conter os efeitos das doenças e pragas que surgem com a estiagem.
O aumento na venda de inseticidas rendeu um adicional de R$ 16 milhões no faturamento das indústrias em outubro. Em compensação, o faturamento total do mês, incluindo a venda de todos os produtos, caiu 2,7% (R$ 9,1 milhões) no mês, em relação ao mesmo período do ano passado.

mockup