Indústria tem potencial desperdiçado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de junho de 1997
Agência Estado, de Brasília 
O desempenho industrial brasileiro, em seu conjunto, tem ficado abaixo das potencialidades do País. Para reverter esse quadro, as empresas terão que fazer um profundo reordenamento de rumos, apostando pesado em novos investimentos que levem à especialização da estrutura produtiva, modernização tecnológica e melhor qualificação de mão-de-obra. As empresas também devem apostar no processo de fusões e incorporações, como uma forma de enfrentar os reflexos da processo de globalização no qual o Brasil está se inserindo de forma irreversível.
Esta é uma das principais conclusões de um estudo de 184 páginas, intitulado Ações Setoriais para o Aumento da Competitividade da Indústria Brasileira, elaborado pelo Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, após quase seis meses de trabalho. O documento traça um diagnóstico dos 18 setores-chaves da indústria nacional e sugere um conjunto de iniciativas e ações a serem implementadas para promover a competitividade e o desenvolvimento industrial.
O documento elaborado pela Secretaria de Política Industrial do MICT, com a colaboração de lideranças e representantes do setor empresarial, está sendo distribuído a outros ministérios e órgãos do governo para discussão, segundo o secretário-executivo do MICT, Paulo Jobim Filho. O objetivo, afirma ele, é chegar a um consenso com o Ministério da Fazenda, Planejamento e Casa Civil, sobre que medidas podem ser adotadas a curto prazo, especialmente nas chamadas políticas horizontais (infra-estrutura, educação, custos operacionais), para a retomada do crescimento.
Estratégias Paulo Jobim explica, contudo, que o apoio resultante das medidas inseridas na política horizontal, como redução do Custo Brasil e a desregulamentação da economia, são imprescindíveis, mas não bastam. É preciso, segundo ele, tratamento específico, conforme a peculiaridade de cada setor, para que possam ser traçadas estratégias setoriais de crescimento.
A inserção do País no processo de globalização também é uma realidade inexorável, com a qual as empresas brasileiras terão que conviver. Fusões e incorporações são um processo quase inevitável em segmentos mais expostos à concorrência externa. Conforme o documento, esse processo também leva a indústria a ter que especializar a sua estrutura produtiva.
A especialização da indústria, contudo, não deve acarretar a desarticulação das cadeias produtivas, com a substituição indiscriminada de produtos nacionais por estrangeiros. É fundamental que essa especialização ocorra mediante o fortalecimento dos complexos produtivos internos para os quais o Brasil tenha maior aptidão natural, ou que venham a ser construídos a partir de capacitação tecnológica, advertem os técnicos.
Conforme o diagnóstico, a abertura comercial, a implementação do Plano Real e as demais reformas pelas quais está passando a economia desde o início desta década, têm impactado de forma diferenciada os vários segmentos industriais. Da mesma forma, as taxas reduzidas do crescimento do setor têm provocado déficits crescentes na balança comercial nos dois últimos anos e aumentado o desemprego. Um exemplo disso, é que um superávit de US$ 10,6 bilhões em 1993, transformou-se em um déficit de US$ 5,5 bilhões em 1996.


