Indústria tem planos de investimento ainda em 2004
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sábado, 26 de junho de 2004
Márcia de Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - Expandir a capacidade de produção, erguendo novas fábricas ou ampliando as já em funcionamento, voltou a ser neste ano o principal objetivo dos investimentos da indústria previstos para 2004. Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ouviu no segundo trimestre 1.233 empresas com faturamento anual que soma de R$ 326 bilhões, revela que 41% dos investimentos programados para este ano serão destinados a aumentar a capacidade instalada. Em 2003, esse indicador era bem menor: 30% das empresas apontavam a expansão das fábricas como objetivo principal dos desembolsos.
''Esse é um bom sinal. Demonstra que os empresários estão otimistas com a retomada do ritmo de atividade'', afirma o coordenador técnico da sondagem, Jorge Ferreira Braga. Ele observa que, desde 2001, o número de empresas interessadas em usar os investimentos para expandir a capacidade de produção vinha diminuindo. O último ano no qual esse foi o principal objetivo dos investimentos apontado pelas companhias foi 2000, com índice de 43%. E esse foi também o último ano de crescimento econômico significativo, observa o economista.
Entre 2001 e 2003, o principal objetivo dos investimentos declarado pelas indústrias era aumentar a eficiência produtiva, que neste ano perdeu o pódio para expansão das fábricas. De acordo com a sondagem, 38% das companhias consultadas no segundo trimestre informaram que gastariam os recursos para aumentar a eficiência produtiva. Isso significa investimentos marginais na produção e não sinalizam uma aposta firme no crescimento econômico, quadro que foi revertido em 2004.
Entre os 21 setores pesquisados pela FGV, 12 apresentaram maiores índices de expansão da capacidade de produção. A maior disposição em ampliar fábricas ou construir novas instalações é da indústria química (72%), pelo setor de papel e celulose (52%), que está sempre próximo do limite da plena ocupação, observa Braga. Na sequência, vem o setor de material de transporte (45%), produtos farmacêuticos (45%) e material elétrico e de comunicações (42%).
Obstáculo - Outra novidade da sondagem é a carga tributária, que aparece como o principal obstáculo ao investimento produtivo. A carga tributária elevada é apontada por 39%, em média, das companhias como fator limitante. Na indústria química e na de material de transportes, esse fator limitador ganha mais relevância, sendo apontado como um obstáculo por 65% e 52% das empresas, respectivamente.
Braga observa que não há base comparativa com anos anteriores porque foi a primeira vez que a carga tributária passou a ser incluída nesse quesito da sondagem. Desde 1998, as incertezas sobre a demanda lideraram o ranking dos obstáculos ao investimento. Neste ano, no entanto, esse fator aparece em segundo lugar, apontado por 28% das companhias como uma restrição.
Outro resultado surpreendente da enquete é que o custo do financiamento é o terceiro obstáculo mais importante ao investimento (19%), apesar das elevadas taxas de juros cobradas das empresas, alvo recorrente das reclamações dos empresários do setor produtivo. Por incrível que pareça, limitações de crédito (6%) e taxa de retorno inadequada (13%) têm peso bem menor como entraves.


