Rio de Janeiro Impulsionada pela tendência mundial de fuga dos investimentos de risco e pela disputa eleitoral, a turbulência do mercado financeiro já atingiu o lado real da economia brasileira. A produção industrial de maio, livre de influências sazonais (típicas de cada período), despencou 5,1% em relação a abril.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o pior resultado desde maio de 1995. Na época, houve queda de 10,9%, influenciada pela greve dos petroleiros que durou 32 dias.
Sem contar essa retração atípica, a maior queda desde o início do Plano Real ocorrera em novembro de 1997, em meio à crise asiática, quando houve recuo de 3,8% na produção do setor.
''Já havia um cenário de juro alto, taxas de desemprego elevadas, renda em queda contínua. A isso tudo, veio se somar a instabilidade do mercado financeiro'', disse o chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales.
''A taxa de juros (de mercado, que serve de referência para empréstimos) já subiu em maio e mais ainda em junho. Isso é reflexo da incerteza eleitoral e da crise externa de aversão ao risco. Com isso, a confiança (do empresário em investir e do consumidor em comprar) caiu ainda mais'', disse Marcelo Cypriano, economista do BankBoston.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, afirmou que o resultado de maio ''foi surpreendentemente baixo'' o mercado esperava queda de 3% e reflete a percepção de que não há espaço para a redução dos juros.
Hamilton Kay, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz que já esperava um recuo dessa magnitude, pois a base de comparação é elevada em abril houve crescimento de 4,5% por ter tido mais dias úteis e um incremento na produção devido à Copa do Mundo.
Marcela Prada, da Tendências Consultoria, concorda com a avaliação e acrescenta que a produção de abril cresceu também por causa do Dias das Mães.
Os sucessivos recordes de produção da Petrobras têm evitado um desempenho pior da indústria neste ano. Em maio, o segmento extrativo mineral, cujo maior peso é o da exploração de óleo, cresceu 2,8%, impedindo a queda maior da indústria.
De janeiro a maio, o setor de extração mineral cresceu 11,5% em comparação com os cinco primeiros meses de 2001. No mesmo período, a indústria de transformação caiu 1,7%.

mockup